fbpx

Ciência brasileira volta a respirar, mas precisa de cuidados, alertam pesquisadores

Cientistas debateram sobre a reconstrução do sistema nacional de ciência e tecnologia durante evento da SBPC
(Imagem: Raphael Pizzino/UFRJ)

ciência brasileira voltou a respirar em 2023, mas ainda está longe de respirar aliviada. Vários obstáculos permanecem no caminho para a reconstrução do sistema nacional de ciência e tecnologia. É o que disseram pesquisadores que se reuniram para a 75ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) recentemente em Curitiba, no Paraná.

Para quem tem pressa:

  • Pesquisadores que se reuniram para a 75ª Reunião Anual da SBPC para debaterem a reconstrução do sistema nacional de ciência e tecnologia;
  • Para eles, a ciência brasileira voltou a respirar em 2023, mas ainda está longe de respirar aliviada;
  • Isso porque vários obstáculos permanecem no caminho para a reconstrução do sistema nacional de ciência e tecnologia;
  • Os cientistas apontaram que será necessário consertar peças que já eram defeituosas no modelo antigo ou que já se tornaram obsoletas.

Ainda segundo os cientistas, será necessário consertar várias peças que já eram defeituosas no modelo original ou que já se tornaram obsoletas com o passar do tempo para essa reconstrução.

Panorama da ciência no Brasil

Cerimônia da abertura da 75ª Reunião Anual da SBPC, no Teatro Guaíra, em Curitiba (Imagem: Divulgação/SBPC)

Uma das principais engrenagens do sistema que necessita de atenção é o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

“Temos uma deformação na política de ciência e tecnologia no Brasil. Essa deformação se chama ‘subfinanciamento histórico’ do CNPq, e isso precisa ser corrigido.”

Olival Freire Júnior, atual diretor científico do CNPq e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia)

Sem orçamento adequado para financiar programas e projetos de forma autônoma, fica a pergunta: “Qual é o papel específico que cabe ao CNPq se olharmos os próximos dez, quinze anos?”, questionou o professor, numa mesa que discutiu a avaliação e o financiamento da pesquisa científica no país.

As FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) estaduais cresceram em importância e assumiram um papel de protagonismo no financiamento da ciência brasileira nos últimos anos, preenchendo parte do vácuo de fomento que foi criado pelo colapso orçamentário das agências federais.

Cerca de 80% dos auxílios a projetos de pesquisa pagos no país em 2022 vieram dessas agências estaduais, segundo dados apresentados na reunião por Odir Dellagostin, presidente do Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) e professor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas).

O Confap reúne as agências de fomento à pesquisa nas diferentes regiões brasileiras.

Produção científica em queda

(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, prevê que a produção científica brasileira continuará em queda nos próximos anos.

A coordenadora da Agência Bori, Sabine Righetti, comparou a situação atual com o efeito de uma guerra no Brasil.

Já o professor Hernan Chaimovich, do Instituto de Química da USP, ressaltou a resiliência da ciência brasileira. Mas alertou que é preciso aprender com os erros do passado para evitar ultrapassar um ponto sem retorno.

O subfinanciamento é apontado como o principal fator para explicar a queda da produção científica no país, de acordo com o presidente do Confap.

A falta de recursos para projetos e bolsas de pesquisa tem comprometido a qualidade e o volume de estudos realizados.

O que fazer, então?

Para reverter esse cenário, os pesquisadores destacam a necessidade de repensar e reformular a pós-graduação no Brasil como parte fundamental da retomada do crescimento sustentável da ciência.

A comissão de especialistas incumbida pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) de elaborar o novo Plano Nacional de Pós-Graduação defende uma reconfiguração profunda do sistema, com foco nos alunos e na solução de grandes desafios nacionais.

A avaliação da Capes e o elevado número de programas de pós-graduação também são questionados como fontes de desigualdades regionais.

Isso porque muitos programas são direcionados para as regiões Sul e Sudeste, deixando outras áreas do país em desvantagem.

A reformulação da pós-graduação deve levar em consideração a redução dessas desigualdades, bem como a formação de profissionais altamente qualificados.

(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Pesquisadores ressaltaram ainda a importância de uma estratégia nacional bem definida para guiar as mudanças necessárias na ciência brasileira.

Essa estratégia deverá ser construída na próxima Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que contará com a participação de representantes de instituições de ensino, pesquisa e governo.

A SBPC aprovou um documento detalhando os pontos prioritários e não negociáveis para o desenvolvimento do país.

Nesse documento, a educação e a ciência são colocadas como ferramentas fundamentais para promover a democracia, inclusão social e sustentabilidade no Brasil.

Com informações de Jornal da USP

Compartilhe este conteúdo

Conteúdos Relacionados

Siga a Ascenda Digital
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore