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Entrevista: “Tecnologia e inovação darão o próximo salto de desenvolvimento de Santa Catarina”

Criada na nova gestão estadual (mas ainda não oficializada), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de SC prevê lançamento de programa de fomento ainda no primeiro semestre, comenta o futuro secretário Marcelo Fett, em exclusiva ao SC Inova.

Foto: SECOM/SC

Considerada uma das principais novidades do governo que tomou posse no dia 1o. de janeiro, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina ainda não foi oficialmente criada (depende de publicação e das nomeações para os cargos no Diário Oficial do Estado) mas, após 38 dias da gestão Jorginho Mello, já esboça os primeiros planos. 

Criada sob o clamor do ecossistema de inovação – era uma solicitação da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) durante as eleições do ano passado – a nova Secretaria terá à frente o advogado e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de municípios como Palhoça e São José, Marcelo Fett, indicado pela ACATE ao novo governo.

Com passagem por empresas de tecnologia (foi diretor de Relações Governamentais na Softplan entre 2017 e 2020) e candidato a deputado estadual nas eleições de 2022, Fett ainda não pode oficialmente usar a caneta, mas passou as primeiras semanas do ano estruturando a Secretaria e as ações prioritárias.

A pasta vai herdar a parte de “C&T” que estava sob o guarda-chuva da antiga Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável, enquanto as demais áreas que a SDE englobava, como políticas de meio-ambiente e de indústria e comércio, terão estruturas separadas. Isso significa que a relação da Secretaria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do estado (Fapesc) não deve sofrer nenhuma alteração significativa.

Na primeira entrevista após a formalização da nova pasta, o futuro secretário Marcelo Fett antecipou ao SC Inova alguns dos pilares do trabalho – que começou com um grande laboratório de ideias para definir o que será prioridade. Confira:

SC INOVA – Qual será o foco de atuação da nova Secretaria?

MARCELO FETT – O foco é no incremento da competitividade da economia catarinense a partir de ciência, tecnologia e inovação, porque isso melhora a vida da população e dos empreendedores, de forma a dar o próximo salto de desenvolvimento de Santa Catarina. Isso se dará criando um ambiente legal favorável aos negócios: seja criando novas fontes de financiamento ou atraindo investimentos, direta ou indiretamente. Também iremos concluir as entregas dos centros de inovação e promover a melhoria dos polos já existentes, focando em criar uma estrutura e governança. 

Há outros pontos-chave também, como a internacionalização de nossas empresas e a necessidade de dotar o estado com infraestrutura para inovação, falando especificamente, devemos acelerar o processo de implantação da rede 5G, especialmente para os centros de inovação.

SC INOVA – Como vocês receberam o orçamento de 2023? Já existe previsão para os próximos anos?

MARCELO FETT – Estamos herdando na Secretaria um orçamento com 20% de aumento frente a 2022. Foi algo já definido pelo governo anterior, mas estamos estudando uma mudança gradativa com relação ao que será prioritário para investimentos. Não vejo dificuldade em solicitar mais recursos, se tivermos projetos de impacto, pois vai depender do incremento ou não da arrecadação – apesar de termos herdado problemas nas contas públicas do estado.  

Fett, na posse, com o governador Jorginho Mello: “daremos mais foco para investimentos diretamente relacionados a ciência e tecnologia”. / Foto: SECOM/SC

SC INOVA – Nos últimos dois anos, a Fapesc teve um aumento significativo no número de editais e recursos liberados para projetos do ecossistema. Dá pra manter esse ritmo? E como será o trabalho entre a Secretaria e a Fundação?

MARCELO FETT – Eu e o Fabio Wagner Pinto (novo presidente da Fapesc – leia mais aqui) estamos conversando e trabalhando a quatro mãos com relação a isso, revendo alguns pilares do planejamento e construir um plano para atender a todos. A pedido do governador Jorginho (Mello), iremos dar mais foco para investimentos diretamente relacionados a ciência e tecnologia. 

SC INOVA – Sobre os Centros de Inovação em SC, há previsão de entrega dos que ainda não estão prontos?   

MARCELO FETT – Estamos estudando o que pode ser acelerado, alguns tiveram dificuldades de execução, de adequação a projetos. A demora é natural. O que estamos definindo e estudando mais é como melhorar a governança dos centros para trazer efetivamente o setor produtivo. Não imagino que eles vão ser “elefantes brancos”, como se pensava lá atrás, mas eles precisam gerar conhecimento, riqueza e atender o fator crítico para o qual foram criados.

Os Centros de Inovação não podem ser meramente um coworking, uma incubadora ou um espaço de locação imobiliária. Estamos trazendo vários atores para criar um comitê de governança e discutir melhorias.   

SC INOVA – Em sua campanha a deputado estadual no ano passado, havia uma série de propostas para o setor de tecnologia. Agora, dentro do poder executivo, o que é possível colocar em prática?   

MARCELO FETT –  Aquelas propostas eram a condensação das demandas do ecossistema. E algumas delas, como a criação de um programa de fomento, acredito que vamos conseguir contemplar ainda no primeiro semestre. Está sendo desenhado junto com o BADESC uma nova linha de financiamento para, mas não só para, o setor de CT&I. Estamos nas questões operacionais, forma de contratação, esteira de crédito etc. 

O que a gente sabe é que existe uma enormidade de alternativas de financiamento que não dependem de recursos públicos, mas podem ser criados por meio de uma estratégia pública. Não é apenas criar editais, às vezes isso leva a acomodação, mas sim formas de abrir novas frentes para financiar projetos de tecnologia – conectar iniciativas importantes de C&T para o estado de acordo com os programas de inovação aberta de grandes empresas do estado, que já estão investindo neste modelo. 

SC INOVA – Você citou a importância de internacionalizar empresas inovadoras, mas há também algum projeto para vender a imagem de Santa Catarina lá fora, como um “startup state”?

MARCELO FETT –  Nosso benchmarking é Israel, que tem muito a nos ensinar por uma série de características, em especial o desenvolvimento de inovação a partir da escassez. Mas claro, adaptando esse caso à nossa realidade local. Santa Catarina tem algumas empresas de atuação global e isso pode nos dar um salto de maturidade se houver iniciativa articulada pelo governo e ecossistema.

Estamos fazendo isso em conjunto com a Secretaria de Relações Internacionais e o [secretário] Juliano Frohner, e disso vai sair um grande projeto para internacionalização das empresas de inovação. Já tivemos uma Decora (startup catarinense vendida em 2018 por US$ 100 milhões), que foi para os EUA por meio de um programa de internacionalização (no caso, ExportaSC, do Sebrae/SC) e podemos ter outras. 

Fonte: Por Fabrício Umpierres, editor – scinova@scinova.com.br  / [FLORIANÓPOLIS, 07.02.2023]

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