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Uso consciente de fertilizantes cria caminho sustentável para a produção de hortaliças em SC

Quem trabalha na agricultura sabe que adubar as plantas de forma correta impacta em todo o resultado da lavoura. Tanto o excesso quanto a carência de fertilizantes podem provocar perdas significativas em todas as fases da cadeia produtiva. É com esse conhecimento aplicado em pesquisas e na extensão rural que a Epagri criou um caminho para tornar a produção de hortaliças cada vez mais sustentável e rentável em Santa Catarina. Os resultados do uso adequado de fertilizantes estão na qualidade do solo e da água e também nas lavouras de cebola, mandioca, tomate, brássicas (culturas como couve-flor, brócolis e repolho), alface e outras folhosas.
Tecnologias da Epagri para o uso adequado de fertilizantes melhoram os resultados das lavouras e preservam o solo e a água (Foto: Aires Mariga/Epagri)

As indicações técnicas da Epagri ajudam o produtor a definir quais corretivos e fertilizantes usar com base no custo e no benefício do nutriente, além das doses, dos momentos e das formas de aplicação. As tecnologias são desenvolvidas em parceria com as famílias e divulgadas em dias de campo, cursos, visitas e publicações.

Entre 2019 e 2022, a Epagri atendeu 52,5 mil famílias e 460 entidades em temas como manejo do solo e da fertilidade, nutrição de plantas, plantio direto de hortaliças, produção integrada, compostagem e outras práticas que promovem o bom uso de fertilizantes na olericultura.

Caminho sustentável

Uma das principais ferramentas desse trabalho é o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH). Ele permite reduzir o uso de adubos químicos e agrotóxicos até eliminá-los das lavouras, e por isso é considerado um caminho de transição da agricultura convencional para a agroecologia.

Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) permite reduzir o uso de adubos químicos e agrotóxicos até eliminá-los das lavouras (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Em 2022, a prática da adubação de acordo com o SPDH em cerca de 600ha de brássicas em Santa Catarina permitiu aos agricultores reduzir o custo de produção em 50%. A melhoria na qualidade e na uniformidade das plantas diminuiu em 35% as perdas na colheita, resultando em aumento de mais de 40% na renda líquida dessas lavouras.

A metodologia da Epagri para o SPDH também está em lavouras de tomate, moranga, cebola e mandioquinha-salsa. Em Santa Catarina, são cerca de 4,5 mil hectares conduzidos nesse sistema e a meta da empresa é levar a tecnologia a todos os produtores de hortaliças do estado até 2030.

Solo mais fértil

No SPDH, o solo está sempre protegido com a palhada de plantas de cobertura e restos de culturas anteriores. Essa biomassa alimenta os macro e microrganismos, aumenta a concentração de matéria orgânica e mantém a umidade e a temperatura do solo estáveis. Com a rotação de culturas, há um aumento na biodiversidade e na ciclagem de nutrientes, melhorando a fertilidade. O resultado disso, em dez anos, é um aumento de mais de 200% no teor de matéria orgânica do solo.

A adubação no SPDH segue a Taxa Diária de Absorção (TDA) de nutrientes. Essa ferramenta permite atender a demanda das plantas em cada fase de desenvolvimento, com ajustes que consideram as reservas no solo, as condições climáticas e os sinais expressados pelas culturas. Conhecendo essas taxas, é possível indicar com mais precisão as épocas, as doses e os tipos de fertilizantes a aplicar para se obter lavouras mais saudáveis e produtivas.

A adubação no SPDH busca atender a demanda das plantas em cada fase de desenvolvimento (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Cebola mais econômica

Na produção de cebola, a hortaliça de maior importância econômica em Santa Catarina, as boas práticas no uso de fertilizantes refletem no bolso do agricultor e também no meio ambiente. Nos últimos 20 anos, o trabalho da Epagri com recomendações adequadas da adubação NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) reduziu em 40% a quantidade de fertilizantes aplicados nas lavouras catarinenses de cebola.

Quando o agricultor adota as tecnologias e recomendações da Epagri para adubação dessa hortaliça, ele economiza fertilizantes, reduzindo o custo de produção em cerca de 10%. Além disso, o uso adequado do nitrogênio melhora a conservação dos bulbos na fase de armazenamento, reduzindo as perdas pós-colheita, o que eleva a produtividade em 10%.

O impacto econômico disso na cadeia produtiva é expressivo: na safra 2021/22, a soma desses dois benefícios nas lavouras de cebola do estado alcançou R$77 milhões. O valor representa 9,5% do total movimentado pela cadeia produtiva durante a safra, que foi de R$807 milhões.

Tecnologias e recomendações da Epagri para adubação da cebola reduzem o custo de produção do agricultor em cerca de 10% (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Adubação da produção integrada

O tomate, muitas vezes considerado um vilão no uso de insumos, também pode ser produzido com menos adubos graças ao trabalho da Epagri. Só em 2022, a empresa atendeu cerca de 2,5 mil famílias na recomendação de boas práticas no uso de fertilizantes para essa cultura.

Uma linha de trabalho é o Sistema de Produção Integrada de Tomate (Sispit), que combina tecnologias e boas práticas agrícolas para produzir alimentos seguros e de qualidade. O sistema segue um conjunto de normas que regem todas as etapas da produção, incluindo adubação, preparação do solo, manejo de pragas e doenças e até a comercialização.

Um diferencial do Sispit está na recomendação da adubação de cobertura, em fertirrigação, de acordo com a curva de absorção de nutrientes das diferentes variedades de tomate. Dessa forma, o produtor sabe exatamente a quantidade de cada nutriente que deve aplicar de acordo com o desenvolvimento da planta. Plantas que crescem com equilíbrio nutricional geram frutos de qualidade e em grande quantidade.

Nas lavouras conduzidas em Sispit no estado, a redução de custos pelo menor uso de insumos na lavoura é de cerca de 60% em relação ao cultivo convencional. No Vale do Rio do Peixe e no Planalto Sul Catarinense, são cerca de 200ha de tomate em 40 propriedades rurais seguindo a recomendação de adubação de acordo com esse sistema.

Plantas que crescem com equilíbrio nutricional geram frutos de qualidade e em grande quantidade (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Tecnologia à mão

Para tornar as recomendações mais precisas e ágeis, os agricultores e técnicos catarinenses contam com ferramentas que facilitam as indicações de corretivos e fertilizantes – são os softwares AdubaCebolaAdubaTomate e AdubaManí (para mandioca), desenvolvidos pela Epagri. Resultado do trabalho de extensionistas, pesquisadores e agricultores, esses programas permitem, em poucos minutos, interpretar a análise de solo e recomendar o uso de corretivos e fertilizantes com precisão e economia.

Na produção de mandioca, o uso do AdubaManí tem gerado ganhos de produtividade, redução de custos e melhoria ambiental nas lavouras. Em uma Unidade de Referência Técnica (URT) instalada pela Epagri na propriedade de Joilson Pacheco, em Sangão, as boas práticas na adubação da lavoura conduzida em SPDH elevaram a produtividade de 6 para 29 toneladas por hectare usando menos adubos do que no sistema anterior.

Em 2022, a Epagri atendeu 2 mil famílias em boas práticas no uso de fertilizantes em mandioca, tanto de mesa quanto para indústria. O trabalho com essa cultura no estado integra pesquisadores, extensionistas e agricultores por meio da RedeManí, um projeto de parceria para avançar no desenvolvimento de tecnologias e na avaliação de cultivares de mandioca. A Epagri acompanha 37 URTs no estado onde esse trabalho é desenvolvido.

Adubo orgânico e sustentável

Fertilizantes de alta qualidade para diversas culturas agrícolas, e com custo acessível, já são produzidos em Santa Catarina a partir de diversos tipos de resíduos graças às tecnologias da Epagri. Por meio da compostagem, materiais que representam custos elevados para envio a aterros e que podem trazer riscos ambientais se transformam em adubo, promovendo a reciclagem de nutrientes, melhorando a fertilidade do solo e a saúde das plantas.

Em parceria com a Epagri, a Pamplona Alimentos está transformando resíduos de frigoríficos em fertilizantes (Foto: Divulgação/Epagri)

A Epagri desenvolveu tecnologias para a compostagem de resíduos de agroindústrias de palmito e de abate e criação de suínos, aves e bovinos. Outros materiais que já podem ser transformados em fertilizantes graças a esse trabalho são grãos residuais de porto graneleiro, cascas de coco verde, resíduos urbanos de poda e resíduos da agroindústria da cana-de-açúcar.

O uso dos compostos, de acordo com as recomendações da Epagri, já foi aprovado em diversas hortaliças e outras culturas, inclusive na produção orgânica. Em 2022, a Epagri atendeu 2,4 mil famílias na área de compostagem, contribuindo para reduzir a dependência delas por adubos importados.

No Litoral Norte Catarinense e no Vale do Itajaí, mais de 10 mil toneladas de resíduos deixam de ser enviadas por ano para aterros sanitários ou locais inapropriados graças a essas tecnologias de compostagem. A produção anual de composto, calculada em 5 mil toneladas, significa a geração de R$2 milhões em renda e é suficiente para o cultivo de 200 hectares de lavouras. O valor economizado pelo destino dos resíduos chega a R$3 milhões.

Grande contribuição desses números vem da Pamplona Alimentos, que, graças a uma parceria com a Epagri, está transformando em fertilizantes 100% dos resíduos gerados pelos seus frigoríficos no Alto Vale do Itajaí, além dos resíduos da produção de leitões e da criação de suínos. São cerca de 5 mil toneladas de materiais por ano que deixam de ir a aterros e trazem benefícios para o meio ambiente e a agricultura.

A produção anual da Pamplona é estimada em 2,4 mil toneladas de composto, que é utilizado por dezenas de famílias da região na produção agrícola, inclusive em cultivos orgânicos. Além disso, o fertilizante é destinado sem custos a escolas e instituições beneficentes.

Produtor de Caçador recupera lavoura de tomate com a adubação correta

As tecnologias da Epagri para a produção de tomate foram decisivas para que o produtor Fábio Brusco, de Caçador, não desistisse da atividade. Há 12 anos, desanimado com os resultados que alcançava no cultivo tradicional, ele foi um dos pioneiros no estado a adotar a recomendação de adubação de acordo com o Sistema de Produção Integrada de Tomate (Sispit). “Antes eu produzia sem muito conhecimento e não tinha orientação. A adubação era feita pelo costume”, lembra.

Fábio aprendeu a fazer adubação de cobertura por fertirrigação, fornecendo os nutrientes de acordo com a necessidade das plantas (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Com as recomendações da Epagri, ele aprendeu a fazer a adubação de base de acordo com a análise de solo, e também a adubação de cobertura por fertirrigação. Nesse sistema, os nutrientes são diluídos na água de irrigação e distribuídos por mangueiras que percorrem as linhas de plantio da lavoura junto ao solo.

A fertirrigação é feita de acordo com a curva de absorção de nutrientes da planta em cada fase do desenvolvimento. “A gente aduba certo e na hora certa. A curva de absorção ajuda a fornecer os nutrientes conforme a planta precisa”, explica Fábio.

Os resultados das boas práticas no uso de fertilizantes não demoraram a aparecer. O produtor ficou muito satisfeito já no primeiro ano, especialmente pela alta produção de frutos com excelente qualidade. A redução do custo de produção pelo uso da adubação do Sispit é de cerca de 60% e a produtividade, que era de 350 caixas por mil plantas, agora é de 500 caixas – um rendimento muito acima da média do estado.

Animado com os resultados, Fábio expandiu a produção para uma área de 20 hectares em Calmon. Todos os anos, ele vende cerca de 2 mil toneladas de tomate para estados como Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. “O resultado da adubação correta se reflete em tudo. A produção é maior, os tomates são mais bonitos e, consequentemente, a remuneração nas vendas é melhor”, conta.

Fonte: Epagri 

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