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Inovação: o ecossistema de Santa Catarina efetivamente avançou após o Startup Summit 2023?

Região ganhou visibilidade nacional e internacional, além do potencial de negócios gerados, mas ao mesmo tempo, é um bom momento para entender de que maneira o estado precisa seguir avançando. Leia a análise do SC Inova.

Foto: Divulgação Startup Summit 2023

Startup Summit 2023 encerrou há uma semana e, dentro do ecossistema catarinense, os últimos dias tiveram uma cara de ressaca. Mas da boa. Eventos paralelos, encontros de negócio e happy hours de networking, lançamentos de projetos, participação para pitches entre startups e investidores drenaram o físico e o mental de boa parte dos principais players deste mercado no estado. 

Mas, noves fora toda a euforia de acontecimentos (e a canseira), é hora de colocar em perspectiva o que essa concentração de pessoas e entidades importantes em Florianópolis durante quase uma semana inteira significou em termos práticos para o ecossistema. Afinal, o que SC mostrou ao país nessa tão esperada semana?

Em primeiro lugar, uma visibilidade qualificada, nacional e até internacionalmente. O Summit 2023 teve o maior percentual de visitantes de fora do estado (44%) desde a primeira edição, em 2018 – os principais estados emissores foram SP (11%), RS (8%), PR (6%) e MG (4%). E talvez a próxima edição atraia um volume ainda maior, dependendo da repercussão de matéria publicada pela Forbes pós-evento, destacando a contribuição de Santa Catarina para o mercado de tecnologia brasileiro. “A cidade emergiu como a força motriz por detrás do surto tecnológico do estado, concentrando-se predominantemente em modelos B2B”, descreveu a correspondente no Brasil Angelica Mari, que esteve na cidade.

No Estadão, o colunista Felipe Matos – que conhece o ecossistema de startups da Ilha desde as primeiras iniciativas, há mais de 10 anos – aponta que o Summit “trouxe muitos acertos, como a integração com o Floripa Conecta, a exposição de 1 mil startups de todo o país, a divisão de conteúdos entre blocos para geração de negócios na manhã e à tarde com conteúdo e exposição”.  

No dia de abertura, 23, também foi lançado o documentário “Ecossistemas de Inovação”, obra da Prosa Press que percorreu o país inteiro, incluindo Florianópolis, para mostrar os principais ambientes de tecnologia brasileiros. 

Nesta mesma tarde, circulava entre lideranças locais – de mercado e de governo – um ranking mostrando que a capital catarinense era a primeira colocada no Ranking 2023 de Competitividade dos Municípios. O estudo, feito pelo Centro de Liderança Política (CLP), aponta quais cidades conseguem melhor fornecer serviços públicos de qualidade no Brasil. Floripa era a quarta colocada em 2020 e assumiu a ponta neste ano superando São Paulo e Barueri (SP) no top 3. Outras catarinenses também apareceram no ranking: Balneário Camboriú (13o.) e Blumenau (15o.).

Há também o potencial de negócios gerados para o ecossistema nacional. Estimativa prévia dos organizadores do evento mostra que, só nesse match entre fundos e startups cara a cara no programa 1K Startups, há uma possibilidade de investimento em curto prazo (2023/2024) de aproximadamente R$ 48 milhões.  

Startup Summit 2023 reuniu presencialmente quase 10 mil pessoas, um público altamente qualificado para geração de conhecimento e novos negócios. / Foto: Fabricio Almeida (Divulgação)

A busca pelo mercado global foi outro mantra que ecoou pelo Centrosul ao longo de três dias. A ACATE anunciou filial no Canadá e parceria com hub na Alemanha, enquanto delegações de mercados da América do Norte e Europa marcaram espaço nos estandes. Para quem busca inspiração na leitura, o Summit foi palco do lançamento de uma obra inédita na literatura empresarial brasileira, Ponte para o Mundo, guia prático para auxiliar negócios inovadores a se internacionalizarem. 

“É algo que nós falamos há muito tempo no ecossistema: precisamos pensar global, não só em vender para dentro mas em vender para o mundo, que está aí e nós precisamos nos apropriar dele”, comentou Daniel Leipnitz, ex-presidente de ACATE e Sapiens Parque e um dos organizadores do livro.

E O QUE VEM PELA FRENTE?

Que Florianópolis e Santa Catarina subiram de patamar ao longo destes dias pré e pós-Startup Summit parece óbvio, mas essa é uma boa hora também para entender de que maneira (e como) o ecossistema pode manter esse desenvolvimento. 

O setor público pode avançar mais na adoção digital

No discurso, governo estadual e lideranças municipais mostram alinhamento, o que gera credibilidade em investidores. Mas de que forma efetiva esse potencial tech da região se traduz para o dia a dia dos catarinenses? Promover mecanismos legais para incentivar a inovação, como o sandbox; colocar fundos para Leis de Inovação já criadas mas com parcos recursos; transformar as cidades em ambientes de testes para novas tecnologias, como os livings labs, também demanda um primeiro passo do poder público.

Vamos parar de procurar unicórnios?

O inverno das startups mostrou a real para muitos pretendentes a unicórnios no Brasil e no mundo afora. Santa Catarina ainda não gerou o seu espécime – diferente do que aconteceu em Curitiba, por exemplo –  mas ao mesmo tempo suas principais startups não passaram por situações constrangedoras como vivenciaram outras 123 por aí. 

Ecossistemas do interior precisam avançar

Pesquisa do Observatório Sebrae deu outra boa nova ao mercado, apontando um crescimento de 49% no número de startups neste ano, chegando a quase 2.000 CNPJs com este perfil. Mas a diferença entre Florianópolis e outras grandes cidades do estado é um dado a ser avaliado: a Capital concentra quase 40% do volume de startups, mais do que o dobro do que Joinville e Blumenau somadas. Se considerarmos o potencial econômico de outras regiões, como Chapecó, Itajaí e Criciúma, cada uma com delas representar apenas 3% do volume de startups no estado mostra como o empreendedorismo inovador pode avançar nestes polos. 

O ecossistema catarinense, por um lado, é muito forte (pela presença ativa de entidades, do mercado, do potencial de talentos e da qualidade de vida). Por outro, tem visíveis fragilidades, como seu papel considerado pequeno diante do mercado brasileiro, a escassez de capital para dar conta do potencial de expansão e o desconhecimento por parte de outros mercados globais.

Em comparação com outros ecossistemas brasileiros e latinos, Santa Catarina impressiona. Mas ainda tem muito caminho a trilhar – e o buzz criado em função do Summit mostra-se cada vez mais importante para essa evolução.

Fonte: Por Fabrício Umpierres, editor SC Inova – scinova@scinova.com.br

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