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MIDITEC 25 anos parte II: quais os desafios do novo modelo de incubação para as startups

Nesta segunda parte do especial de 25 anos da incubadora catarinense, conectamos as origens do programa de apoio empreendedor a casos de sucesso recentes no ecossistema de startups catarinense.

Foto: Divulgação MIDITEC

A dinâmica dos ecossistemas de inovação motiva empresas, entidades e programas de desenvolvimento a se reinventarem. Ao longo de 25 anos completados em agosto de 2023, a incubadora MIDITEC, gerenciada pela Associação Catarinense de Tecnologia e com recursos do Sebrae/SC, também passou por processos de mudança para entender a evolução do mercado – e do desenvolvimento de negócios.  

Durante os primeiros anos de atuação, quando o setor de tecnologia em Santa Catarina ainda dava os primeiros passos, havia pouca oferta de apoio a novas empresas. Algo que é muito distinto do cenário atual, onde há uma diversidade de programas de pré-incubação, mentorias, conexão e aceleração – muitos deles com investidores-anjo acompanhando as jornadas e ampliando a disponibilidade de capital empreendedor. Para o presidente da ACATE,  Iomani Engelmann“a incubadora é também uma startup, que avalia e se transforma para entender quais as demandas de seus clientes, que são as empresas em desenvolvimento”.

E qual o papel do MIDITEC neste momento do ecossistema?

“Historicamente, a incubadora ajudou empresas que estavam em fases mais early stage, como uma pré-incubação, mas hoje há outros programas para esta etapa inicial. O MIDITEC se transformou para atuar mais diretamente no passo seguinte, na fase de expansão/tração (growth). Revisamos nossa metodologia nos últimos anos para fortalecer essa entrega, ampliamos nossa ‘caixa de ferramentas’ de serviços e conexões para fornecer aos incubados”, comenta.

Na visão de Marcos Regueira, um dos primeiros consultores do Sebrae/SC a atuar com as incubadas, a jornada das startups hoje é muito mais difusa do que há alguns anos – o que é fruto da evolução do ecossistema. “Antes era muito clara a diferença entre incubação e aceleração: a carga de capacitação era bem distinta, uma aceleração durava alguns meses e era muito intensiva enquanto a incubação durava anos. Hoje, a diferença entre os modelos é mais tênue”. Ele cita a criação e consolidação de programas como o Inova – parceria do Sebrae com outros players nacionais (Bossanova e Rajavalley), que mescla investimento e grande volume de capacitação e mentorias. 

A jornada de desenvolvimento de uma startup – e onde o apoio de uma incubadora faz mais sentido. / Imagem: MIDITEC

E há outros exemplos: muitas startups catarinenses que começaram no MIDITEC foram aprovadas em outras iniciativas, como o StartupSC, do Sebrae/SC – que há 10 anos tem atuado em um modelo intensivo, como uma aceleradora, mas sem tomar equity dos empreendedores. O volume de interessados em participar do programa aumentou tanto (em volume e qualidade de projetos) nos últimos anos que o Sebrae/SC e a ACATE criaram um programa de desenvolvimento e mentoria chamado Jornada Startups, que seleciona anualmente até 150 negócios inovadores que não foram selecionados pelo StartupSC, mas com alto potencial de crescimento – um degrau anterior à fase em que o MIDITEC atua.     

“É nítida a evolução das empresas que participam do processo seletivo da incubadora, seja na qualidade operacional, na geração de demanda, no modelo de negócio já validado. No passado, as empresas em geral vinham muito na fase de ideação, e a incubadora ia guiando, desenvolvendo os negócios até chegar ao mercado. O ecossistema está subindo a régua”, comenta Iomani. 

Participar do ecossistema de tecnologia, aprendendo com especialistas e fazendo networking, era um antigo desejo da empreendedora Manoela Lira Reis, cofundadora da plataforma de contratação de profissionais de limpeza Ahoy. No início de 2022, com apenas oito meses de operação, a startup foi selecionada para o MIDITEC: “éramos apenas três sócios múltiplas funções e cheios de ideias, mas sem organização. Hoje, o time cresceu, captamos quase R$ 500 mil (com Rede de Investidores-Anjo SC, Sebrae/SC, Anjos do Brasil e Raja Valley), crescemos 100% entre o final do ano passado e início de 2023 e  estamos expandindo nosso negócio para outras cidades de Santa Catarina e Paraná”, enumera Manoela. 

A startup Ahoy no MIDITEC: antes da incubadora, “éramos apenas três sócios múltiplas funções e cheios de ideias, mas sem organização”, lembra Manoela Lira, uma das fundadoras.

Passado o isolamento social e com a retomada gradual da economia – e da rotina – a Ahoy passou a atender a demanda dos “superhosts” de Airbnb, que têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados para limpeza dos imóveis após o período de locação, uma necessidade constante.

Ainda que a startup esteja no início da jornada, a empreendedora destaca a importância desse modelo de incubação. “O MIDITEC foi e é essencial, desde a estruturação de setores, a organização de processos e o acompanhamento integral para a entendermos melhor e de forma mais ampla sobre o nosso próprio negócio. Sem contar o fato de estar sempre próximo de mentores e consultores sensacionais, e de gente muito especial”, resume. 

Apoio para vencer a pandemia - E ganhar mercado internacional

Foi por meio de outro programa de conexão para startups, o LinkLab, que aproxima negócios inovadores a empresas estabelecidas (corporates), que a startup AskSuite deu os primeiros passos. Selecionada no final de 2018 pelo MIDITEC, a empresa que desenvolve chatbots que ajudam hotéis e pousadas a fazer reservas a qualquer hora do dia (e reduz custo de captação de clientes), participou posteriormente de outros programas como Scale-up Endeavor. Durante o período de incubação, a receita da empresa cresceu 300%, conta o diretor de Operações Danilo Pavei. “A incubadora foi fundamental para nosso crescimento, a expansão no mercado internacional e sobrevivência durante a pandemia”, lembra. 

AskSuite: “”A incubadora foi fundamental para nosso crescimento, a expansão no mercado internacional”, conta o cofundador Danilo Pavei (à esquerda). / Foto: Divulgação

Antes da Covid-19, a AskSuite tinha um volume significativo de clientes na América Latina e Europa, mas a paralisação das atividades turísticas e viagens custou à época uma redução de mais de 60% da equipe. Para buscar soluções e reverter o quadro, a startup contou com o time de mentores e consultores do MIDITEC para buscar caminhos até a retomada econômica, e também utilizou recursos do Fundo Garantidor ACATE para captar recursos emergenciais para a operação. 

A empresa venceu a tormenta: hoje, um terço do faturamento vem do mercado externo, mais do que na era pré-pandemia. “Estamos com mais de 100 colaboradores, com times em sete países. Fomos eleitos em 2023, pelo quarto ano seguido, o melhor chatbot para hoteis do mundo e a 5a melhor empresa do setor no mundo, de acordo com a Hotel Tech Awards. Soubemos aproveitar os treinamentos do MIDITEC para os empreendedores e nosso time de liderança”, ressalta Danilo. 

Boa gestão = agilidade no processo de exit

Quase na mesma época em que a AskSuite estava incubada, outra startup começava sua jornada no MIDITEC: entre 2019 e 2021, a Zipper estruturou sua plataforma que une o e-commerce às lojas físicas, por meio de funcionalidades como catálogos digitais para lojas, agenda de contatos inteligente para vendas ativas via WhatsApp e anúncios (ads) geolocalizados para atrair clientes.  

“conseguimos estruturar a empresa durante a pandemia e usamos bastante as mentorias jurídicas, assim como a consultoria de contabilidade”, destaca o CEO da Zipper e ex-incubado, Gustavo Duwe

Como recorda o CEO Gustavo Duwe, “foi um programa bem importante porque conseguimos estruturar bem a empresa e ter o apoio durante a pandemia. Usamos bastante as mentorias jurídicas, assim como a consultoria de contabilidade e o apoio na consolidação da cultura da empresa“. Em 2022, seis meses após sair do MIDITEC, a Zipper foi adquirida por R$ 25 milhões pela CRM&Bonus, uma das únicas empresas de tecnologia do Brasil a expor na concorrida feira global National Retail Federation (NRF), em Nova York.  “A incubadora nos ensinou muito sobre gestão e isso facilitou bastante o processo de venda, que durou apenas quatro meses”, destaca Gustavo. 

“Uma coisa que recomendo muito são as mentorias, para deixar o negócio redondo – e isso faz muita diferença quando você está buscando captação ou vendendo a empresa, mostra profissionalismo e faz com que processos como due dilligence, que costumam levar de seis meses a um ano, sejam encurtados. Conosco durou quatro meses e foi um diferencial bem grande, destaca Gustavo.

Fonte: Redação SC Inova, conteúdo oferecido por ACATE

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