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Ovnis: Brasil tem arquivo público de registros; saiba como acessar

Fotos de 1952 que dois jornalistas brasileiros disseram ter tirado de um objeto voador não-identificado. Crédito: Ed Keffel/O Cruzeiro/Arquivo Nacional do Brasil

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, na última semana de agosto, o Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) passou a disponibilizar um site para tornar públicos os relatos de avistamentos dos chamados Ovnis – ou UAPs, na nova nomenclatura adotada. 

Enquanto o termo mais antigo trata de “objetos voadores não-identificados”, a designação atual, que quer dizer “Fenômenos Anômalos Não Identificados”, é mais abrangente, englobando qualquer manifestação não só no ar como também no espaço e na água.

A criação do site (que pode ser acessado clicando aqui) faz parte de uma espécie de nova política adotada pelo governo norte-americano, acusado de ocultar informações de interesse público sobre o assunto. 

E aqui no Brasil? Será que existe algum banco de dados de acesso público desse tipo de registro?

Política brasileira para Ovnis é destaque na mídia dos EUA

Não só existe uma política para Ovnis no país como ela é reconhecida até pelos EUA como um modelo! Nesta quarta-feira (6), o jornal The Washington Post (TWP) publicou uma reportagem especial sobre o assunto, na qual destaca o “notável arquivo histórico do Brasil de visitas ufológicas relatadas” e a importância de ser tudo de livre acesso.

“Não há autorizações de segurança. Sem documentos fortemente redigidos. Qualquer pessoa pode acessar os arquivos – os relatórios militares, os vídeos e gravações de áudio, as fotografias granuladas não verificadas”, diz a matéria.

“É relativamente fácil conseguir essas informações aqui [no Brasil]”, disse Rodolpho Santos, historiador do Instituto Federal de Minas Gerais, ao TWP. “E a variedade de discos é boa e considerável”.

Um suposto disco voador que causou euforia no Brasil em 1952. Créditos: Ed Keffel/O Cruzeiro/Arquivo Nacional

Embora Brasil e EUA sejam dois países de proporções continentais, com avistamentos frequentes de Ovnis e comunidades ativas de entusiastas, a forma como cada um desses países procura responder à mais fundamental das questões humanas (estamos sozinhos no Universo?) tem sido nitidamente diferente. 

Enquanto por lá precisou haver uma forte pressão da sociedade e do Congresso para que a Casa Branca começasse a repensar a postura de silêncio que perdura há anos, aqui, os profissionais da Força Aérea Brasileira (FAB) guardam relatos, áudios, fotos e vídeos de feitos por civis e militare que são então enviados para o Arquivo Nacional (AN), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além de armazená-los, o AN cuida da preservação dos materiais e os disponibiliza ao público.

Brasil tem mais de 740 registros ufológicos públicos

Um relatório divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2018 aponta que o AN tem 743 registros em seu acervo sobre a aparição de Ovnis no Brasil. “Isso não quer dizer que foram vistos 743 discos voadores e sim qualquer objeto no céu que não foi possível descobrir de imediato sua origem natural”, diz o documento. “Ou seja, um Ovni nesse caso pode ser um drone, uma estrela, um satélite, um balão meteorológico ou até mesmo um fenômeno natural”.

Os arquivos estão disponíveis para qualquer pessoa que possa visitar a sede do AN, em Brasília, e também pela internet, no site do Sistema de Informações do Arquivo Nacional – SIAN (aqui), onde todos estão digitalizados (para acessar, basta fazer login com usuário e senha do portal gov.br – saiba como aqui).

Ouça os áudios da “Noite dos Ovnis”

A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi o local onde se deu a primeira ocorrência de Ovni catalogada pelo SIAN. O evento aconteceu em 19 de maio de 1986, na chamada “Noite dos Ovnis”, e foi registrado com nove imagens fotográficas.

O responsável pela equipe de processamento técnico do acervo da Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal (COREG) e técnico em assuntos culturais do AN, Raynes Castro, diz que há suspeitas de montagem nas fotografias, mas que, particularmente, ele não acredita na hipótese. “Acho pouco provável. Para mim, elas são originais. Até porque naquela época não existia manipulação de imagens como existe hoje em dia”.

Naquele mesmo dia foram detectados cerca de 21 objetos voadores não identificados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). Cinco jatos da FAB foram enviados para persegui-los, todos sem sucesso.

Segundo o relatório, tudo começou quando o operador da torre do Aeroporto de São José dos Campos (SP) observou pontos luminosos que mudavam de cor, com predominância da tonalidade vermelha. Ele, então, perguntou se o piloto Alcir Pereira estava vendo a mesma coisa.

Jornal ValeParaibano, de São José dos Campos, relatando o aparecimento de Ovnis na cidade sendo reconhecido pela NASA. Crédito: ValeParaibano

Após a confirmação de Pereira, a Torre de Controle de São Paulo captou sinais sem identificação e o Cindacta I, em Brasília, detectou Ovnis nos radares de Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. Por causa da velocidade dos objetos, o Centro de Operações de Defesa Aérea (CODA) decidiu enviar os caças para persegui-los e interceptá-los. Porém, nenhum dos cinco caças conseguiu chegar perto dos Ovnis.

Áudios disponibilizados no SIAN, coletados naquele dia, “confirmam que se tratavam de objetos sólidos e que demonstravam, de certa forma, inteligência”, diz o relatório – e você pode ouví-los aqui aqui.

E aí, você sabia da existência dessa ferramenta no Brasil? Ao que tudo indica, podemos dar aula de transparência de dados a outras nações do mundo – pelo menos, no que se refere a Ovnis.

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