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Por que expansão da rede 5G estagnou nos municípios de Santa Catarina

Falta de atualização na Lei de Antenas é um dos principais desafios regulatórios no estado para adoção da tecnologia, que pode gerar quase R$ 600 bilhões em oportunidades e negócios no país nos próximos anos.

Por que expansão da rede 5G estagnou nos municípios de Santa Catarina
Fotos: Divulgação

Até o final de 2022, Santa Catarina era um dos estados que mais tinha avançado com relação ao desafio regulatório de implantação do 5G: naquele momento, 22 municípios já tinham atualizado a sua Lei de Antenas, um dos primeiros passos para poder receber investimentos por parte das operadoras para implantação da rede. 

Mas passados quase nove meses, praticamente não houve avanços na questão regulatória nos demais municípios catarinenses. “Isso significa que o estado está deixando de participar de um mercado que pode gerar R$ 590 bilhões em novos negócios e oportunidades no país”, calcula Fernando Gomes de Oliveira, coordenador do Grupo de Trabalho 5G da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), em evento realizado em Florianópolis nesta quarta (20) para debater avanços e desafios da nova rede de conectividade no estado.

O estado de São Paulo, por outro lado, acelerou em 2023. Por meio de uma iniciativa do Invest SP, foram realizados roadshows em diversas regiões do estado, envolvendo prefeitos, vereadores e especialistas para “quebrar barreiras” – e alguns mitos, como o de que antenas 5G causam câncer à população e a morte de pássaros. Como resultado deste tour de force, mais de 100 municípios paulistas já atualizaram suas legislações e podem avançar na implantação do 5G. 

Esta mudança é fundamental pois para manter a cobertura da atual rede 4G será preciso instalar de 5 a 7 vezes mais antenas 5G: uma demanda de aproximadamente 1 milhão de unidades em todo o país. Atualmente, comenta Fernando Gomes, há apenas 14 mil antenas 5G em operação no Brasil, o que vai demandar um investimento massivo das operadoras. 

A primeira cidade do estado a se beneficiar da nova rede, em agosto do ano passado, foi Florianópolis, que tem um dos melhores desempenhos da rede no país: relatório da consultoria OpenSign mostrou que a cidade teve a quarta maior velocidade do 5G rede no país (391,4 megabytes por segundo), superando a média brasileira (250 Mbps/s) e à frente de cidades como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Exemplo de mobilização no Sul de SC

Mas é preciso avançar no interior do estado. Um bom exemplo de articulação regional veio do Sul catarinense: no início deste ano, o grupo de trabalho pela atualização da Lei de Antenas em Criciúma incluiu vereadores de 12 municípios vizinhos para que a legislação fosse repensada de maneira uniforme, habilitando toda a região a receber investimentos das operadoras na rede 5G.

“Somos uma região muito conurbada, então entendemos que seria muito mais importante mostrar às operadoras que não apenas Criciúma e seus 220 mil moradores já estavam habilitados mas toda uma região com mais de meio milhão de pessoas. Isso traz competitividade econômica”, ressaltou o vereador Nícola Martins, que liderou os debates em Criciúma. 

“A sociedade se sente mais conectada e os serviços melhoram. É preciso fazer uma mobilização pelo estado para debater o assunto e derrubar mitos que impeçam essa evolução”, concluiu o vereador.

Durante o encontro, o diretor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina (SCTI) Diogo Wessling apresentou um projeto, que está sendo discutido com as operadoras, de usar a infraestrutura dos Centros de Inovação regionais para instalar antenas 5G e assim permitir que startups, laboratórios de inovação e outras empresas conectadas aos ecossistemas regionais possam desenvolver novas tecnologias e soluções com os benefícios da nova rede.

O evento sobre Tecnologia 5G também apresentou debates sobre o potencial da rede no desenvolvimento de soluções para agroindústria, manufatura, transportes, logística e cidades inteligentes, envolvendo diversas verticais de negócio da ACATE e cases de empresas que já desenvolvem inovações em cada uma destas áreas.  

Fonte: Por Fabrício Umpierres, editor – scinova@scinova.com.br 

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