Com novo fundo para startups, BNDES e Finep miram o espaço entre fomento e venture capital

Chamada pública vai selecionar gestora para um FIP de R$ 250 milhões voltado a startups brasileiras. A iniciativa quer aproximar programas de fomento, aceleração e subvenção do mercado de capital semente e venture capital

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Foto: André Telles (Divulgação)

O BNDES e a Finep anunciaram uma nova chamada pública para selecionar uma gestora de fundo voltado a startups brasileiras inovadoras e com potencial de escala. O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Conexões Startups terá capital-alvo de R$ 250 milhões e deve priorizar empresas que já passaram por programas de fomento, subvenção econômica ou aceleração no país.

O anúncio foi feito nesta terça-feira, 16 de junho, durante a edição de 2026 do BNDES Garagem, no Rio de Janeiro. No mesmo evento, a BNDESPAR, braço de participações do BNDES, anunciou investimento de até R$ 63 milhões no Fundo Antler Brasil I, voltado a startups em estágio pre-seed.

A movimentação reforça uma tentativa de atacar um gargalo conhecido do ecossistema brasileiro: a distância entre os programas de apoio à inovação e o acesso a capital privado mais estruturado. Nos últimos anos, o país ampliou a oferta de editais, acelerações e instrumentos de fomento. O desafio, agora, é fazer com que mais startups apoiadas por esses mecanismos cheguem preparadas a rodadas de investimento.

Segundo o BNDES, o FIP Conexões Startups deverá atuar como uma ponte entre iniciativas como BNDES Garagem, Mais Inovação, Centelha, Inovacred, Subvenção Econômica, Tecnova, Mulheres Inovadoras e outros programas públicos e privados de apoio a startups. A tese do fundo é ampliar a conversão dessas empresas em oportunidades aptas a receber capital semente, venture capital e coinvestimento institucional.

A BNDESPAR poderá comprometer entre R$ 40 milhões e R$ 100 milhões no fundo. A Finep, como secretaria executiva do FNDCT, poderá aportar até R$ 50 milhões. O fundo será voltado a startups com receita bruta anual de até R$ 20 milhões.

Capital antes do seed

Além do novo FIP, o investimento de até R$ 63 milhões da BNDESPAR no Fundo Antler Brasil I deve se somar a recursos da Finep, BRDE, BADESUL, Fomento Paraná e investidores estrangeiros, podendo alcançar até R$ 250 milhões em capital comprometido. Do total, R$ 65 milhões devem vir de investidores internacionais.

A Antler atua em uma fase anterior ao capital semente, conhecida como pre-seed. A proposta é apoiar empreendedores ainda no início da formação das empresas, por meio de seu programa de residência. O fundo pretende investir em até 100 startups de tecnologia com alto potencial de escala.

Esse ponto é relevante porque desloca parte do debate sobre investimento para uma etapa mais inicial da jornada empreendedora. Em mercados como o brasileiro, onde muitos fundadores ainda têm dificuldade para acessar capital antes da validação comercial mais robusta, fundos pre-seed podem cumprir um papel importante na formação de novas empresas.

A agenda indica que BNDES e Finep querem ampliar a atuação em diferentes fases da jornada das startups: da formação inicial de fundadores ao capital pre-seed, passando por empresas que já foram apoiadas por programas públicos e chegam ao momento de buscar rodadas mais estruturadas.

Fonte: Por Redação Builders

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