Ao apresentar prioridades aos candidatos ao governo, ACATE reconhece avanços da nova Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, mas pede mais continuidade, escala e velocidade
A criação, no início de 2023, de uma secretaria dedicada à ciência, tecnologia e inovação colocou o setor entre as agendas formais do governo de Santa Catarina. Quase quatro anos depois, a avaliação das empresas combina o reconhecimento de programas que começaram a sair do papel com uma cobrança mais ampla: transformar essas iniciativas em uma política de Estado, capaz de atravessar governos, mudanças de comando e ciclos tecnológicos.
Esse é o pano de fundo da agenda apresentada nesta terça-feira (28) pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) aos candidatos ao governo estadual. O documento reúne dez compromissos em áreas como formação de talentos, crédito, compras públicas, internacionalização, atração de investimentos e governança dos ambientes de inovação. Várias propostas buscam fortalecer estruturas que já existem — indicação de que a primeira etapa produziu avanços, mas ainda não consolidou uma estratégia de longo prazo.
“A gente precisa acelerar”, afirma Diego Ramos, presidente da ACATE, em entrevista exclusiva a The Builders SC. “Precisamos ter, acima de tudo, uma política de Estado em relação à tecnologia e à inteligência artificial.”
Criada para articular as políticas públicas de um setor cada vez mais relevante na economia catarinense, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação teve três titulares desde 2023: Marcelo Fett, responsável por sua estruturação inicial; Edgard Usuy; e Fábio Wagner Pinto, que assumiu em abril de 2026.
As mudanças no comando não interromperam necessariamente os programas, mas reforçam a preocupação com continuidade e planejamento. A primeira proposta da ACATE é justamente fortalecer a Secretaria, com recursos para manter as ações em andamento, executar novos projetos e desenvolver um Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Em 2024, as empresas catarinenses de tecnologia faturaram R$ 42,5 bilhões, o equivalente a 7,75% do PIB estadual. Com uma estratégia continuada, a associação projeta que o setor poderá alcançar R$ 238,9 bilhões em faturamento até 2066.
Ramos avalia que a criação da pasta produziu entregas concretas. Ele cita o SCTEC, programa de formação de talentos desenvolvido com participação da ACATE; o Pronampe Inovação, linha de crédito com juros parcialmente subsidiados pelo Estado; as ações do ACATE Global Gateway para internacionalização; a presença de agentes de inovação nos polos regionais; e uma nova fase de investimentos no Sapiens Parque.
“Tivemos programas importantes que foram encaminhados, especialmente o SCTEC, que é uma formação de talentos na área de tecnologia, como inteligência artificial, por exemplo. Foi um programa totalmente apoiado e construído com o apoio da ACATE”, afirma.
No crédito, o presidente da entidade destaca o Pronampe Inovação, operacionalizado desde 2025 com financiamentos entre R$ 20 mil e R$ 250 mil e metade dos juros assumida pelo governo estadual para empresas adimplentes. “Isso para o pequeno empresário é muito importante, porque ajuda inclusive no fluxo de caixa”, diz.
A inteligência artificial ampliou a pressão por respostas mais rápidas. Para Ramos, Santa Catarina precisa definir o lugar que pretende ocupar em uma transformação que alcança não apenas as empresas de software, mas também a indústria, o varejo, os serviços, a administração pública e o mercado de trabalho.
“Estamos vivendo talvez a maior revolução tecnológica dos últimos tempos, que é a inteligência artificial, que vai trazer muitos desafios e oportunidades”, afirma. “Precisamos ter uma política de Estado em relação a isso, frente aos desafios na formação de mão de obra e ao impacto não apenas no setor de tecnologia em si, mas em diversos modelos de negócios.”
A formação profissional está entre as prioridades. A ACATE estima que o setor poderá abrir mais de 72 mil vagas nos próximos anos, em um mercado que já enfrenta dificuldades para encontrar pessoas qualificadas. A entidade propõe ampliar a formação em IA e empreendedorismo, conectando empresas, universidades e instituições de ensino.
A disputa, porém, vai além dos talentos. Ramos cita os data centers como exemplo de uma oportunidade que exige decisões sobre energia, infraestrutura, ambiente regulatório e atração de investimentos.
“Santa Catarina precisa definir qual o papel que vai jogar nesse cenário global”, diz. “As coisas precisam ser aceleradas, porque vários países já largaram na frente e não podemos ficar para trás.”
Fonte: TheBuilders Santa Catarina
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