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Astrônomos podem ter descoberto ‘unicórnio’ da ciência; entenda

Se confirmada, descoberta seria a primeira evidência concreta a favor de uma teoria que existe há 20 anos; veja o trabalho dos pesquisadores
Cena do filme 'Loja de Unicórnios', da Netflix (Imagem: Reprodução)

Astrônomos descobriram o possível “irmão” de um planeta orbitando uma estrela distante. Para a ciência, isso é o equivalente a encontrar um unicórnio, conforme explicou um dos membros da equipe.

Para quem tem pressa:

  • Uma equipe de astrônomos descobriu o possível “irmão” de um exoplaneta orbitando uma estrela distante;
  • Para a ciência, isso é o equivalente a encontrar um unicórnio, conforme explicou um dos pesquisadores;
  • Eles detectaram uma nuvem de detritos que pode estar compartilhando a órbita de um planeta;
  • Esta descoberta, se confirmada, seria a primeira evidência concreta de que dois exoplanetas podem compartilhar uma órbita;
  • A teoria de que planetas podem compartilhar a mesma órbita existe há 20 anos;

Usando o telescópio Alma (Atacama Large Millimeter Array), no Chile, a equipe detectou uma nuvem de detritos que pode estar compartilhando a órbita deste planeta.

Os cientistas acreditam que esses detritos podem ser como tijolos para a construção de um novo planeta – ou os restos de um já formado.

De qualquer forma, esta descoberta, se confirmada, seria a evidência mais forte de que dois exoplanetas podem compartilhar uma órbita.

“Exotroianos [planetas troianos fora do Sistema Solar] até agora têm sido como unicórnios: eles podem existir pela teoria, mas ninguém jamais os detectou.”

Jorge Lillo-Box, coautor do estudo e pesquisador sênior do Centro de Astrobiologia

O artigo sobre a descoberta dos astrônomos foi publicado nesta quarta-feira (19) na revista Astronomy & Astrophysics.

 

Exoplanetas ‘irmãos’

(Imagem: ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/Balsalobre-Ruza et al.)

A teoria de que pares de planetas de massa semelhante podem compartilhar a mesma órbita em torno de sua estrela foi pensada há 20 anos. Nela, eles se chamam “planetas troianos” ou coorbitais.

Agora, os astrônomos parecem ter encontrado, pela primeira vez em décadas, evidências a favor dessa ideia. É o que explicou Olga Balsalobre-Ruza, estudante do Centro de Astrobiologia de Madri, na Espanha.

Os “troianos” – corpos rochosos na mesma órbita de um planeta – são comuns no nosso Sistema Solar. Os exemplos mais famosos são os asteroides troianos de Júpiter – mais de 12 mil corpos rochosos na mesma órbita do gigante gasoso ao redor do Sol.

Os astrônomos previram que os troianos, em particular os planetas troianos, também poderiam existir em torno de uma estrela diferente do nosso Sol. Mas as evidências para eles são escassas.

A descoberta

Céu estrelado ao redor da estrela anã laranja PDS 70 (no meio da imagem); a estrela azul brilhante à direita é χ Centauri (Imagem: ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin)

Agora, uma equipe internacional de cientistas usou o Alma para encontrar a evidência observacional mais forte de que planetas troianos podem existir – no sistema PDS 70.

Esta jovem estrela é conhecida por hospedar dois planetas gigantes semelhantes a Júpiter: PDS 70b e PDS 70c.

Ao analisar as observações de arquivo do Alma deste sistema, a equipe detectou uma nuvem de detritos no local da órbita do PDS 70b, onde se espera que existam “cavalos de Tróia”.

Os troianos ocupam as chamadas zonas lagrangianas, duas regiões estendidas na órbita de um planeta onde a atração gravitacional combinada da estrela e do planeta pode prender o material.

Estudando essas duas regiões da órbita do PDS 70b, os astrônomos detectaram um sinal fraco de uma delas, indicando que uma nuvem de detritos com uma massa de aproximadamente duas vezes a da nossa Lua pode residir ali.

Quem poderia imaginar dois mundos que compartilham a duração do ano e as condições de habitabilidade? Nosso trabalho é a primeira evidência de que esse tipo de mundo pode existir. Podemos imaginar que um planeta pode compartilhar sua órbita com milhares de asteróides, como no caso de Júpiter, mas é surpreendente para mim que os planetas possam compartilhar a mesma órbita.

Olga Balsalobre-Ruza, estudante do Centro de Astrobiologia de Madri, na Espanha

Próximos passos

Para confirmar totalmente sua detecção, a equipe precisará esperar até depois de 2026, quando pretende usar o Alma para ver se o PDS 70b e sua nuvem irmã de detritos se movem significativamente ao longo de sua órbita juntos em torno da estrela.

“O futuro deste tema é muito empolgante e estamos ansiosos pelos recursos estendidos do Alma, planejados para 2030, que melhorarão drasticamente a capacidade da matriz de caracterizar planetas troianos em muitas outras estrelas.”

Itziar De Gregorio-Monsalvo, Chefe do Gabinete para a Ciência do ESO (Observatório Europeu do Sul) no Chile

Com informações de ESO

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