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Força Espacial dos EUA fará primeiro exercício militar em órbita da história

Imagem: Rodrigo Mozelli (gerado com IA)/Olhar Digital

Nesta quinta-feira (11), a Força Espacial dos EUA informou que está firmando parceria com as empresas Rocket Lab e True Anomaly para realizar missão inédita: um exercício militar em órbita.

O órgão, criado em 2019 pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump, pretende demonstrar como os militares podem combater uma “agressão em órbita“, sinaliza a ArsTechnica.

Força Espacial em exercício militar em órbita

  • Na missão, um satélite construído e lançado pela Rocket Lab irá atrás de outro fabricado pela True Anomaly;
  • “Os fornecedores exercitarão cenário realista de resposta a ameaças em demonstração de conscientização do domínio espacial em órbita chamada Victus Haze”, disse o Comando de Sistemas Espaciais da Força Espacial em comunicado;
  • O cenário de ameaça proposto pode envolver um satélite realizando manobras que se aproximam de naves dos EUA, ou, ainda, um satélite agindo de forma incomum ou inesperada;
  • A Victus Haze será realizada assim: o satélite da True Anomaly será lançado antes, fingindo ser um satélite inimigo. A Rocket Lab terá outro de prontidão para inspecionar o dispositivo da True Anomaly. Quando a Força Espacial der a ordem, ele será lançado;
  • Se tudo correr bem, os dois satélites trocarão de funções, com o Jackal, da True Anomaly, manobrando ativamente ao redor do dispositivo da Rocket Lab.

“Quando outra nação coloca um ativo no espaço e não sabemos bem o que é esse ativo, não sabemos qual é a sua intenção, não sabemos quais são suas capacidades, precisamos poder subir lá e descobrir o que é essa coisa”, disse o general Michael Guetlein, vice-chefe de operações espaciais da Força Espacial.

Imagem: Paopano/Shutterstock

Victus Haze e mais

A Victus Haze é a próxima de uma variedade de missões militares voltadas à validação das capacidades do Espaço Taticamente Responsivo (TacRS, na sigla em inglês).

“A Victus Haze pretende continuar a quebrar esses paradigmas e mostrar como poderíamos rapidamente criar uma capacidade de reconhecimento do domínio espacial e operá-la em tempo real contra uma ameaça”, disse Guetlein.

A missão Victus Haze envolve dois contratantes principais, dois satélites e dois lançamentos de foguetes de diferentes espaçoportos, programados para ocorrer em curtos prazos “para manter a demonstração o mais realista possível”, disse um porta-voz da Força Espacial à ArsTechnica.

“Esta demonstração acabará preparando a Força Espacial dos Estados Unidos para fornecer forças futuras aos comandos combatentes para conduzir operações rápidas em resposta à agressão adversária em órbita”, informou o Comando de Sistemas Espaciais em comunicado.

“Fundamentalmente, trata-se de caracterizar capacidade desconhecida pela primeira vez na órbita baixa da Terra. Há uma série de desafios que acompanham isso, cobertura consistente com comunicações, como rastrear objeto em manobra na órbita baixa da Terra com capacidades limitadas de reconhecimento do domínio espacial, qual é o nível certo de autonomia e interação humana?”

Even Rogers, cofundador e CEO da True Anomaly, em entrevista ao ArsTechnica

No mês passado, a True Anomaly tentou enviar dois satélites Jackal em missão compartilhada com a SpaceX. Eles fariam a demonstração de encontro que se espera acontecer na missão Victus Haze, mas os dispositivos não foram capazes de cumprir com o planejado.

Segundo Rogers, a empresa trabalha em outras duas missões que serão realizadas antes da Victus Haze.

A Unidade de Inovação de Defesa dos militares concedeu US$ 32 milhões (R$ 162,94 milhões, em conversão direta) à Rocket Lab por sua parte na Victus Haze. O contrato da True Anomaly com a SpaceWERX, braço de inovação da Força Espacial, está avaliado em US$ 30 milhões (R$ 152,75 milhões).

A True Anomaly está contribuindo com a mesma quantia de seu capital para ajudar a pagar a missão, elevando o custo total da Victus Haze para aproximadamente US$ 92 milhões (R$ 468,45 milhões). A Space Safari, divisão do Comando de Sistemas Espaciais, supervisiona todo o projeto.

Jackal, satélite da True Anomaly (Imagem: Divulgação)

“Reconhecemos a oportunidade significativa de alavancar as inovações da indústria espacial comercial para combater a China como ameaça crescente da América. Os Estados Unidos têm a indústria espacial mais inovadora do mundo. A Victus Haze demonstrará, sob condições operacionalmente realistas, nossa capacidade de responder ao comportamento irresponsável em órbita.”

Coronel Bryon McClain, oficial executivo do programa do Comando de Sistemas Espaciais para conscientização do domínio espacial e poder de combate

“Assim que a fase de construção for concluída, a missão entrará em várias fases sucessivas para incluir as fases de espera, ativação, alerta e lançamento”, indicou a Força Espacial. “Embora esta seja uma demonstração coordenada, cada fornecedor receberá perfis exclusivos de lançamento e missão.”

O Jackal é quase tão grande quanto uma geladeira e será lançado em missão de “compartilhamento rápido” da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, ou da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, disse o comando de Sistemas Espaciais. Ele deverá ser enviado por um foguete Falcon 9, da SpaceX.

A True Anomaly afirmou que pode retirar seu satélite de seu armazenamento e acoplá-lo a um foguete entre 12 e 84 horas, a depender da cadência de voo do fornecedor do foguete.

Uma vez que o Jackal esteja em órbita, a Força Espacial dará à Rocket Lab convocação de 24 horas para lançar seu satélite, que também tem o tamanho do Jackal. O lançamento do dispositivo da Rocket Lab será realizado em um foguete Electron da Nova Zelândia, ou da Virgínia (EUA).

Ele terá que ser cronometrado com absoluta precisão para permitir o encontro de ambos os satélites na órbita terrestre.

Após mais de 20 anos de contínuo esforço para chegar ao estágio atual, o maio desafio, agora, é mudar a cultura da Força Espacial e dos seus parceiros comerciais. Aprovações regulatórias, documentação de segurança e autorizações de espaço aéreo, por exemplo, precisam ser mais rápidas.

“O espaço taticamente responsivo agora depende do hardware”, disse Guetlein. “Não se trata do satélite; não se trata do sensor; não se trata do foguete. É uma questão de mentalidade. É uma questão de cultura.”

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