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Índia é o primeiro país a pousar no polo sul da Lua; o que isso representa?

Desde 2018, a missão Chang'e 4, da China, explora o lado oculto da Lua (o que nunca está voltado para a Terra). Crédito: NASA/Apollo 16 fotografia AS16-3021/Domínio Público

O sucesso da missão Chandrayaan-3 na manhã desta quarta-feira (23) fez a Índia se tornar o primeiro país a pousar no polo sul da Lua, um local que deve ser alvo de diversas missões nos próximos anos, mas por que ele é tão importante?

Pousar na Lua é extremamente difícil, tanto que, contando com a Índia, apenas quatro países estiveram lá. Além dos indianos, os americanos, chineses e russos (na época soviéticos) conseguiram pousar com sucesso no solo lunar. A própria Rússia fracassou há poucos dias com uma sigilosa missão que também pretendia alcançar o polo sul.

Tanta dificuldade, claro, também representa um gasto extremamente alto. Poucos países chegaram lá pois, além de difícil ,é muito caro, o que torna necessário um bom motivo para um investimento dessa magnitude.

Representação artística do pouso da missão Chandrayaan-3, da Índia, em solo lunar. Crédito: Raymond Cassel – Shutterstock

É aí que entra o polo sul lunar. Cientistas acreditam que nas regiões permanentes sombreadas (PSRs) do satélite existe gelo que pode suprir a necessidade de água em missões com um período longo de permanência, e o polo sul é uma dessas PSRs.

Por que o polo sul é importante?

Lá é onde existem mais regiões que nunca receberam iluminação solar, como a cratera Shackleton com 21 quilômetros de diâmetro e outros buracos resultados de colisões com asteroides, que provavelmente abrigam geleiras. 

A hipótese da existência de água nessas regiões se baseia a partir de análises de hidrogênio. No entanto, nem todas as PSRs demonstram sinais do elemento, enquanto regiões iluminadas pelo Sol, possuem assinaturas dele na camada superior de regolito, composta por poeira lunar, pedras quebras e outros materiais.

Caso o gelo realmente exista por lá, eles podem oferecer uma série de recursos científicos que precisarão ser protegidos é como se ele fosse um “gravador paleocósmico”. O pouso e a decolagem quente de espaçonaves, o uso de rovers e até mesmo os trajes podem apresentar um perigo para as geleiras. Antes da humanidade se estabelecer por lá, esse risco precisa ser calculado.

Vamos voltar lá?

A missão Chandrayaan-3 leva um módulo de pouso chamado Vikram e um pequeno rover de nome Pragyan. Segundo a ISRO, o objetivo da dupla é explorar a superfície por um dia lunar, o que equivale a cerca de 14 dias terrestres. Apesar do pouco tempo, essa pesquisa pode trazer dados importantes do polo sul lunar.

Em 2025, a Artemis 3 está marcada para levar astronautas para este local, essa deve ser a primeira vez que a humanidade irá pousar com seus próprios pés lá.

Durante a decolagem da missão Artemis 1, tanto o foguete quanto a plataforma de lançamento foram danificados. Imagem: NASA/Keegan Barber

Já a China com a Chang´e quer levar astronautas para lá até 2030. O programa espacial chinês vem recebendo muito investimento e conseguindo resultados impressionantes como 3 rovers que pousaram no satélite.

O programa espacial russo segue bem sigiloso, a Luna-25 foi lançada de surpresa e fracassou, então os próximos passos do país ainda são bastante incertos e não dá para saber se a Rússia pretende fazer um novo lançamento lunar.

Em resumo, a corrida não é apenas para chegar ao polo sul da Lua, mas sim para estabelecer uma presença constante no satélite.

Fonte: Olhar Digital / Lucas Soares 

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