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Maior vulcão do Sistema Solar pode ter sido uma ilha em Marte

Estudo comparou a geologia do Monte Olimpo, em Marte, com ilhas vulcânicas da Terra e concluiu que o imenso vulcão também já foi uma ilha
Olympus Mons, o Monte Olimpo, em Marte, é o maior vulcão do Sistema Solar. Crédito: Dotted Yeti - Shutterstock

Uma pesquisa publicada no periódico científico Earth and Planetary Science Letters diz que o maior vulcão do Sistema Solar pode ter sido uma ilha de um vasto mar no passado de Marte.

Quando o planeta era jovem (e molhado), bilhões de anos atrás, o colossal Monte Olimpo pode ter se parecido com Stromboli ou Savai’i, duas famosas ilhas vulcânicas aqui da Terra, mas em uma escala muito maior.

“Aqui mostramos que o vulcão gigante Monte Olimpo compartilha semelhanças morfológicas com ilhas vulcânicas ativas na Terra, onde grandes quebras de taludes de construção ocorrem sistematicamente na transição mar-ar em resposta a contrastes acentuados de viscosidade de lava”, diz o artigo, cujo principal autor é o geocientista Anthony Hildenbrand, da Universidade Paris-Saclay, na França, que liderou o estudo.

A equipe propõe que a borda superior da escarpa (penhasco) principal concêntrica de seis quilômetros de altura ao redor do monte provavelmente se formou por lava fluindo para água líquida quando era uma ilha vulcânica ativa durante o final do período Noachiano e início do Hesperiano.

Olympus Mons, o Monte Olimpo, recontextualizado como uma ilha vulcânica. Crédito: A.Hildenbrand/Geops/CNRS

O Monte Olimpo é um vulcão de escudo de aproximadamente 25 quilômetros de altura que se espalha por uma área maior do que a Alemanha. Ele não é apenas o maior vulcão, mas a montanha planetária mais alta conhecida no Sistema Solar.

Marte tem um passado úmido, apontam evidências

Embora Marte atualmente seja muito seco e empoeirado, sem nenhum rio fluindo ou qualquer oceano preenchendo suas bacias e crateras, continuam a surgir evidências de que, antigamente, o planeta era rico em água líquida.

A cratera Gale, área de estudo do rover Curiosity, da NASA, aparenta ter sido um vasto lago, bilhões de anos atrás. E na cratera Jezero, o Perseverance explora um delta seco de rio antigo.

Hildenbrand e sua equipe usaram essas informações para recontextualizar o Monte Olimpo. Eles compararam com vulcões de escudo semelhantes aqui na Terra, em particular, três ilhas vulcânicas ativas: a Ilha do Pico, em Portugal; Ilha do Fogo, no Canadá; e a ilha do Havaí, nos EUA.

Os pesquisadores descobriram que as margens dessas ilhas têm escarpas afiadas, semelhantes à escarpa que circunda o Monte Olimpo em Marte. Na Terra, essas escarpas são o resultado de contrastes acentuados na viscosidade da lava devido ao resfriamento diferencial à medida que ela faz a transição do ar para a água.

“Isso nos leva a propor que o  Monte Olimpo foi uma antiga ilha vulcânica cercada por água líquida”, concluem os cientistas.

Isso poderia nos dar algumas pistas sobre a história da água de Marte. Por exemplo, a altura da escarpa seria o nível do oceano perdido. E a idade dos fluxos de lava, datada de cerca de 3,7 a 3 bilhões de anos atrás, diz quando esse oceano estaria lá.

A equipe também identificou características semelhantes em outra montanha vulcânica marciana, o Monte Alba, que fica a mais de 1.500 km do Monte Olimpo, através de uma vasta extensão de terras baixas. Isso pode significar que as águas desse antigo oceano preencheram grandes seções da superfície marciana.

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