Pesquisa inédita do Sebrae/SC mostra que a maioria das empresas já possui internet e ferramentas digitais, mas ainda não integra tecnologia, dados e inteligência artificial à gestão de forma estratégica
A transformação digital ainda não chegou de forma estratégica à maior parte dos pequenos negócios catarinenses. Uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae/SC com 889 micro e pequenas empresas revelou que 81,6% delas permanecem nos estágios iniciais de maturidade digital, apesar de já contarem, em sua maioria, com acesso à internet e infraestrutura tecnológica básica. O levantamento apontou média de 29,2 pontos em uma escala que vai até 80, enquanto a pontuação mais recorrente entre os respondentes foi de apenas 23 pontos.
Os dados mostram que apenas 16,9% dos negócios alcançaram um estágio intermediário de digitalização, e somente 1,6% chegaram ao nível avançado. Na prática, isso significa que a incorporação de tecnologias digitais aos processos internos, à tomada de decisão e à estratégia empresarial ainda está distante da realidade da maioria das empresas. Segundo o estudo, a digitalização permanece concentrada em iniciativas pontuais, sem integração consistente à cultura organizacional e ao modelo de gestão.
“Santa Catarina tem uma das bases empresariais mais diversificadas e resilientes do Brasil: são mais de 900 mil pequenos negócios espalhados por 295 municípios, que respondem por boa parte do emprego formal e da renda das famílias catarinenses”, comenta Fábio Zanuzzi, Diretor Técnico do Sebrae/SC. “Pela primeira vez, mapeamos sistematicamente o nível de maturidade digital dos pequenos negócios do estado, por meio de um diagnóstico direto, feito pelos próprios empresários, durante a Semana de Transformação Digital de 2026. Este estudo mostra onde estamos de fato e nos dá melhores condições para orientar programas, priorizar recursos e apoiar cada pequeno negócio catarinense com soluções práticas e acessíveis.”
A digitalização dos pequenos negócios catarinenses ainda vive uma fase de transição. Segundo a pesquisa do Sebrae/SC, as 889 empresas avaliadas registraram média de 29,2 pontos em uma escala de até 80. A pontuação mais frequente foi de 23 pontos, sinal de que ferramentas básicas, como internet, redes sociais e WhatsApp, já entraram na rotina, mas ainda não foram incorporadas de forma estruturada à gestão.
O maior grupo está no chamado nível emergente, que reúne 56,1% das empresas. São negócios que já usam canais digitais, mas sem estratégia clara, automação ou acompanhamento sistemático de resultados. Outros 25,4% permanecem no nível inicial, em que o uso da tecnologia é esporádico e desconectado da operação. Somados, os dois primeiros estágios concentram 81,6% da amostra.
Na outra ponta, apenas 16,9% chegaram ao nível intermediário, em que o digital já aparece integrado a vendas, relacionamento com clientes e organização de processos. O estágio avançado, no qual a tecnologia orienta decisões, sistemas se comunicam e dados são usados de forma estratégica, reúne só 1,6% das empresas pesquisadas.
O levantamento também mostra que o porte influencia a maturidade digital. Os MEIs tiveram a menor média, de 26,2 pontos, seguidos pelas microempresas, com 30,5, e pelas empresas de pequeno porte, com 33,2. Por setor, a indústria lidera, com 32,9 pontos, à frente do comércio, com 30,0. Serviços, apesar de representar a maior parte da amostra, aparece com o menor desempenho, de 28,2 pontos.
A pesquisa mostra que os pequenos negócios catarinenses já superaram parte das barreiras relacionadas ao acesso à tecnologia, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar ferramentas digitais em vantagem competitiva. Entre os seis objetivos estratégicos avaliados pelo estudo, os melhores resultados estão ligados à infraestrutura tecnológica, enquanto os piores aparecem justamente nas áreas que exigem planejamento, gestão e tomada de decisão baseada em dados.
O melhor desempenho foi registrado no indicador de tecnologias habilitadoras, que avalia aspectos como conectividade, armazenamento em nuvem e segurança digital. Com nota média de 1,94 em uma escala de até quatro pontos, o indicador revela que a infraestrutura básica já está presente na maior parte dos negócios. O acesso à internet rápida, por exemplo, é utilizado de forma consistente por 67,4% das empresas. Ainda assim, o levantamento identificou fragilidades importantes: 31,4% não utilizam armazenamento em nuvem e 64,1% apresentam práticas inexistentes ou inconsistentes de segurança digital.
Na sequência aparece o objetivo de geração de valor para o cliente, segundo melhor desempenho do estudo. Cerca de um terço das empresas utiliza avaliações e feedbacks de consumidores para promover melhorias nos produtos e serviços. Apesar disso, apenas 19,3% conseguem realizar de forma estruturada todo o ciclo de coleta, análise e implementação dessas informações.
Os maiores desafios surgem quando a digitalização exige mudanças na gestão e no modelo de negócio. O pior resultado da pesquisa foi registrado no indicador que mede a capacidade de criar novas bases de competição por meio da tecnologia. Quase metade das empresas não desenvolveu nenhum produto ou serviço digital no último ano e 46,8% não realizam vendas por canais digitais. Entre os MEIs, dois em cada três negócios ainda operam sem sistemas de gestão integrados.
Outro gargalo aparece na construção de uma cultura orientada por dados. Mais de um terço das empresas não registra informações dos clientes e 42,5% afirmam não utilizar relatórios para embasar decisões. O déficit de capacitação também chama atenção: 44,7% nunca treinaram suas equipes para utilizar ferramentas digitais. Segundo o estudo, empresas que obtêm bons resultados nesse indicador alcançam, em média, 21,7 pontos a mais no índice geral de maturidade digital, tornando o uso de dados o principal fator associado ao avanço da transformação digital.
O relacionamento digital com clientes também apresenta limitações. Embora redes sociais e aplicativos de mensagens estejam amplamente disseminados, 74,6% dos negócios operam esses canais sem planejamento consistente. O uso de dados para personalizar ofertas ainda é exceção e quase dois terços das empresas não utilizam qualquer tipo de atendimento automatizado.
A Inteligência Artificial já entrou na rotina da maior parte dos pequenos negócios catarinenses. Segundo a pesquisa do Sebrae/SC, 85,5% das empresas já tiveram algum contato com ferramentas de IA, um percentual que demonstra a velocidade com que a tecnologia se disseminou entre micro e pequenas empresas nos últimos anos.
Apesar da elevada adesão, o nível de maturidade ainda é considerado inicial. Em uma escala de até 24 pontos, o score médio foi de 8,6 pontos, posicionando a maioria dos negócios na categoria “Explorador”. Nesse grupo estão 38,9% das empresas, que já testaram a tecnologia, mas ainda de forma pontual. Outros 32,5% são classificados como “Praticantes”, utilizando a IA com alguma frequência em atividades específicas. Na ponta mais avançada estão apenas 14% dos negócios, enquanto 14,5% permanecem na condição de “Curiosos”, sem uso efetivo da ferramenta.
A utilização da IA ainda está concentrada em tarefas ligadas à comunicação e ao marketing. A criação de conteúdo para redes sociais é o principal caso de uso, adotado frequentemente por 44% das empresas. Já aplicações com potencial de gerar ganhos operacionais e aumento de produtividade permanecem pouco exploradas. Cerca de 65% dos negócios nunca utilizaram inteligência artificial para atendimento automatizado, enquanto 61% jamais recorreram à tecnologia para análise de dados, geração de relatórios ou apoio à tomada de decisão.
O principal sinal de alerta está relacionado à governança. O indicador que mede práticas de uso responsável, segurança e controle da inteligência artificial registrou o pior desempenho de toda a pesquisa. Aproximadamente 65% das empresas afirmaram nunca ter discutido ou implementado qualquer medida de governança relacionada à tecnologia. Mesmo entre os negócios que já utilizam IA, metade o faz sem regras, políticas ou critérios definidos para seu uso.
A maturidade digital dos pequenos negócios catarinenses varia significativamente conforme o perfil da empresa, o setor de atuação e a localização. Os dados mostram que negócios com mais de 20 colaboradores alcançam média de 41 pontos, enquanto empreendedores que atuam sozinhos registram apenas 26,3 pontos. Entre os MEIs, 34% ainda permanecem no estágio inicial de digitalização.
Por setor, a Indústria lidera o ranking estadual, com média de 32,9 pontos, à frente do Comércio (30 pontos) e dos Serviços (28,2 pontos). Já no uso de Inteligência Artificial, o cenário se inverte: o setor de Serviços apresenta o melhor desempenho, com média de 9,1 pontos.
O levantamento também derruba a percepção de que a transformação digital está concentrada na capital. Cidades do interior com forte presença industrial lideram o ranking estadual, como Indaial (39,8 pontos), Biguaçu (35,5), Chapecó (34,3), Jaraguá do Sul (34,2) e São Bento do Sul (33,8), todas à frente de Florianópolis (29,9) e Joinville (25,9). Entre as regiões, o Oeste Catarinense aparece na liderança, com média de 31,9 pontos.
A pesquisa do Sebrae/SC conclui que a transformação digital dos pequenos negócios catarinenses entrou em uma nova fase. Se nos últimos anos o principal desafio era ampliar o acesso à internet, às redes sociais e às ferramentas digitais, agora a questão passa a ser outra: transformar essa infraestrutura em ganhos efetivos de produtividade, competitividade e crescimento.
Para o Sebrae/SC, a oportunidade está justamente no grupo de empresas que já iniciou essa jornada e precisa de apoio para avançar. O estudo aponta que a evolução da maturidade digital depende menos de investimentos em tecnologia e mais da adoção de novos hábitos de gestão, da organização de processos e da aplicação prática de ferramentas já disponíveis no mercado.
“Os dados revelam um setor que já experimentou, que já está conectado, que já tem infraestrutura básica, e que agora precisa dar o próximo passo”, destaca Alexandre Souza, Gerente de Inovação do Sebrae/SC. “Transformar uso pontual em prática estruturada, presença digital em resultado de negócio. É para contribuir com esses próximos passos que fizemos este estudo.”
A Pesquisa de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios Catarinenses foi conduzida pelo Sebrae/SC durante a Semana de Transformação Digital (Semana TD), realizada em maio de 2026. O levantamento ouviu 889 micro e pequenas empresas de mais de 80 municípios catarinenses com o objetivo de medir, de forma prática, como a tecnologia digital e a Inteligência Artificial estão sendo utilizadas na rotina dos negócios.
O diagnóstico foi baseado na metodologia nacional do Indicador de Maturidade Digital para Pequenos Negócios (IMD-PN), desenvolvida pelo Sebrae Nacional e pela ABDI. O questionário avaliou 20 práticas distribuídas em seis dimensões estratégicas da transformação digital, gerando uma pontuação de 0 a 80 pontos e classificando as empresas em quatro níveis de maturidade: Inicial, Emergente, Intermediário e Avançado.
Como diferencial, o Sebrae/SC incluiu um módulo exclusivo sobre Inteligência Artificial, com seis perguntas adicionais que permitiram avaliar o grau de adoção, aplicação e governança da tecnologia entre os participantes. Os resultados foram analisados por um sistema de agentes de IA, responsável por gerar diagnósticos e recomendações individualizadas para cada empresa.
Fonte: Assessoria de Imprensa Sebrae de Joaçaba
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