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Mineração em alto-mar pode destruir vida marinha

Aumento da exploração traz alerta para os impactos nos locais de mineração, como a destruição das formas naturais do solo e da vida marinha
Imagem: Solarisys/Shutterstock

Os garimpos ilegais podem trazer sérios problemas socioambientais e a discussão a respeito desses efeitos tem ganhado força nos últimos anos, especialmente no Brasil. Mas e se o garimpo ocorrer no fundo do mar ou do oceano?

Os oceanos e mares são ricos em uma imensa biodiversidade marinha e também oferecem uma grande diversidade de minerais em suas profundezas. Atualmente, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, organização internacional estabelecida de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, não autoriza contratos de exploração comerciais. Mas os riscos da prática para a vida marinha são enormes.

Empresas, em sua maioria, chinesas e japonesas, estão desenvolvendo os projetos para coletar nódulos polimetálicos com bombas hidráulicas, sistema de mangueiras que levam os materiais extraídos para embarcações ou plataformas na superfície. Luigi Jovane, professor associado do Instituto Oceanográfico da USP, destaca que esses processos ainda são muito caros e complexos:

“Algumas empresas construíram alguns equipamentos e tiveram projeto de pesquisa para estudar técnicas de exploração, mas novas máquinas estão ainda sendo desenvolvidas para otimizar a eficiência e minimizar os impactos causados por plumas em mobilização de sedimento no fundo do mar, que são os maiores riscos. Veículos submarinos operados remotamente podem ser utilizados para localizar os principais locais de extração e coleta no fundo do mar”. 

 

Exploração depende da tecnologia

  • A lama vulcânica, as crostas de ferro manganês, os nódulos polimetálicos e os depósitos de sulfeto polimetálico podem ser explorados para extrair elementos e-tech, ou seja, elementos críticos e essenciais para as tecnologias modernas.
  • As fumarolas hidrotermais são ricas em cobre, ouro, chumbo, prata e outros metais preciosos.
  • Além disso, fosforitos, grânulos carbonáceos, lithothamnium e outros tipos de algas marinhas são usados para fertilizantes, suplementos para animais, entre muitos outros usos.
  • Segundo o professor Jovane, essas amostras são transportadas para o processamento, que pode ser feito diretamente no navio ou com técnicas mais complexas em fases de metalurgia.
  • “Existem vários métodos para cada um desses materiais para coleta. As máquinas que são usadas fundamentalmente são um tipo de draga com um sistema de aspiração, mas existem também outros tipos de técnicas como ultrassom, martelos pneumáticos, que conseguem desagregar e fragmentar as rochas para depois serem levadas à superfície”, explica.
  • O componente da pluma é muito importante porque pode elevar a toxicidade e gerar uma grande quantidade de material em suspensão, que pode ser levado pelas correntes.
  • Isso pode mudar muitas características físicas e químicas da água para grandíssimas distâncias e pode ter impactos que hoje não são conhecidos.
  • A extração não utiliza materiais tóxicos diretamente para a mineração, mas outros trabalhos trazem riscos.
  • O professor destaca que, para a parte de metalurgia, a extração das terras raras e metais das crostas, dos nódulos, é necessária uma grande quantidade de energia e de produtos químicos que são altamente tóxicos e poluentes.

Impactos sobre a vida marinha

  • Há falta de estudos sobre os efeitos ambientais da mineração de longo prazo em alto-mar.
  • Os impactos mais diretos nos locais de mineração são a destruição das formas naturais do solo e da vida marinha (micro e macrofauna), a compactação do fundo do mar e a criação de plumas de sedimentos que perturbam a vida aquática.
  • O material liberado pode percorrer grandes distâncias e ter um impacto gigantesco sobre o clima, a pesca, sobre as condições da água em outro lugar do mundo.
  • Além disso, existe a poluição sonora, luminosa, efeitos eletromagnéticos ou interrupção de suprimento de larvas, contaminação e alteração do fluxo de fluidos.
  • Também há impactos ambientais sobre as espécies, como o distúrbio na diversidade ecológica: as espécies mais tolerantes sobreviverão, enquanto as menos tolerantes poderão ser extintas.
  • Já os distúrbios no suprimento de larvas podem causar o declínio de certas espécies.
  • E o mais grave: o habitat dos organismos bentônicos pode ser totalmente destruído com a extração de seu substrato.

Com informações do Jornal da USP.

Fonte: Olhar Digital | Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi  

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