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Pesquisadores e heads de inovação ajudam a cocriar programa de P&D aberto em Joinville

No e-book “Mais Pontes, Menos Muros”, Ágora Tech Park compartilha metodologia e os resultados de workshops de cocriação do programa Ágora.Connect, que trouxe insights e colaboração entre academia e mercado

Fotos: Divulgação

A partir deste ano, o Ágora Tech Park – parque tecnológico com mais de 100 operações situado no Perini Business Park, em Joinville (SC) – contará com uma iniciativa inovadora destinado a promover a colaboração entre grandes empresas e universidades, por meio de um programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) aberto.

O Ágora.Connect será um espaço (living lab) dentro do futuro prédio Ágora.UNI, a ser inaugurado em maio de 2024, e que tem como objetivo centralizar e conectar ações, estabelecendo uma ligação entre indústrias, empresas, universidades, profissionais e o ecossistema de inovação. Serão mais de 10 novas iniciativas de apoio ao ecossistema de empreendedorismo e inovação, dentre eles o Connect, que será o principal projeto desenvolvido pelo Ágora.UNI neste primeiro ano de atividades.

Para identificar demandas e gaps de interação entre mercado e academia, o Ágora promoveu no final de 2023 dois workshops de cocriação, um deles com participação exclusiva de heads de inovação de empresas, e outro reunindo pesquisadores e docentes de várias universidades da região. A metodologia inovadora e os resultados dessa iniciativa de cocriação no ecossistema de tecnologia do Norte catarinense estão compartilhados com a comunidade empreendedora no recém-lançado e-book Mais Pontes, Menos Muros” , publicação do Ágora Tech Park, com co-edição do SC Inova.  

Ao todo, os encontros contaram com a participação de 22 profissionais, incluindo representantes de empresas renomadas como Whirlpool, Tupy, Arcelor Mittal, WEG Tintas, BMW, Pollux, ACATE, Ciser e Clamed, além de pesquisadores de instituições de ensino como UFSC, UDESC, Católica, Ielusc e Univille. 

Em mais de 50 páginas, o e-book mescla conceitos e ferramentas que podem ajudar na implantação de projetos de inovação aberta (como os “10 Tipos de Inovação”, do consultor Larry Keeney), exemplos práticos de aplicação de open innovation (como o programa Link Lab ACATE, que tem operação no Ágora Tech Park), depoimentos de pesquisadores e heads de inovação que participaram dos workshops, além da identificação dos principais desafios e oportunidades para o desenvolvimento de um programa de P&D aberto. 

“Necessitamos cultivar uma relação mais robusta e confiável entre universidade e mercado. Essa jornada única de aprendizado, permeada por tolerância, respeito às diferenças, sinergia e um espírito coletivo de competitividade, é essencial para todo o ecossistema. Desapegar dos egos e fortalecer esses laços não apenas beneficiará as partes envolvidas mas cria uma base sólida para o avanço conjunto. A compreensão de que sozinhos alcançaremos pouco destaca a importância de uma colaboração efetiva e contínua”, resume Ricardo Fantinelli, diretor executivo do Ágora, que conduziu os workshops em conjunto com Janaina Sehnem, analista de inovação, e Francine Kasulke, coordenadora de Inovação UDESC/Joinville.

Nos workshops de cocriação, um modelo inovador para entender as dores de academia e mercado e propor soluções a serem desenvolvidas no programa Ágora.Connect. / Foto: Divulgação

O projeto Ágora UNI foi um dos oito aprovados pelo programa Ambientes de Inovação da FINEP e do MCTI, recebendo R$ 15 milhões em recursos não reembolsáveis. A este investimento serão acrescidos R$ 1,5 milhão recebidos da Fapesc e uma contrapartida econômica de R$ 4,7 milhões proveniente de um dos fundadores do Ágora, a Perville Engenharia e Empreendimentos. Outro parceiro estratégico do projeto é a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A COCRIAÇÃO NA PRÁTICA

O ponto de partida dos workshops do Ágora.Connect era criar uma experiência única, fugindo dos métodos tradicionais e transformando a simples coleta de dados em um movimento interativo de conhecimento. Foi utilizada a plataforma Mentimeter como ferramenta de interação e os participantes acessaram as perguntas no celular, com um propósito específico: gerar reflexão sobre o estágio de maturidade, identificar obstáculos enfrentados e estimular a observação de semelhanças ou diferenças nas prioridades entre empresas e universidades.

Durante os workshops, foram adotadas duas dinâmicas principais: o uso de tecnologia para transformar os feedbacks, opiniões e ideias em apresentações em tempo real; e painéis de discussão para destacar desafios e possíveis soluções. Os resultados revelaram preocupações comuns como a burocracia nos processos administrativos e a necessidade de alinhar expectativas e prazos. Nos painéis de desafios, foram discutidos aspectos cruciais como a gestão, os processos e os resultados esperados de parcerias entre universidades e empresas.

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“Um dos papéis estratégicos do Ágora UNI é estabelecer mecanismos para desburocratizar os procedimentos para a contratação dos projetos de pesquisa envolvendo ambas as partes, facilitar os registros de propriedade intelectual e facilitar os processos de transferência de tecnologia”, opina o professor Modesto Hurtado Ferrer (UFSC) e diretor Técnico do Ágora Tech Park. “A colaboração efetiva entre academia e mercado pode potencializar a transferência de conhecimento, acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias e estimular o crescimento econômico”, completa.

A dinâmica incluiu várias etapas, como a definição de práticas recomendadas e desafios, discussões internas nos grupos, e votações para eleger os aspectos mais relevantes. Cada grupo teve a oportunidade de apresentar e discutir suas conclusões, fomentando uma troca de conhecimentos e perspectivas. “Essa abordagem permitiu uma análise coletiva dos obstáculos e soluções potenciais para fortalecer a integração entre universidades e o setor empresarial no contexto da inovação”, aponta a analista Janaina Sehnem.

Representantes do mercado e da academia debateram demandas, desafios e sugestões para interação e atuação conjunta.

Na avaliação de Ricardo Santin, Diretor de Montagem BMW Group Brasil, “participar da construção do projeto Ágora.Connect através do debate construtivo com Líderes de Inovação do nosso Ecossistema foi muito gratificante. Iniciativas como esta, transformam os desafios de inovação aberta em oportunidades de trabalho conjunto entre academia e mercado e reforçam o compromisso BMW Group Brasil com o desenvolvimento regional”. 

“Você só consegue aumentar a chance de sucesso de um projeto quando você mapeia realmente os benefícios, os desafios e os problemas que cada lado tem”, comenta Alexandre Barros, head de Inovação Aberta na WEG. “A empresa tem objetivos, ela quer atingir esses objetivos mas a universidade também tem, então como você consegue alinhar toda essa expectativa e toda essa demanda de todos os lados, e principalmente cada um com as suas características”.

“Os insights obtidos nos workshops foram fundamentais para o desenvolvimento de programas e iniciativas no Ágora UNI, e terá aplicação direta a empresas, pesquisadores, alunos e Instituições de pesquisa. A colaboração efetiva entre academia e empresas é o caminho que iremos seguir a partir desse novo espaço que teremos à disposição do ecossistema nos próximos meses”, detalha Fantinelli.

próximo passo é a realização de um workshop com a governança do ecossistema de Joinville para apresentar os resultados e também coletar insights dos participantes, integrando a visão inicial de especialistas de mercado e pesquisados às demais lideranças que compõem o ambiente de inovação. Assim, o Ágora.Connect nasce “validado” pelo ecossistema e com um caminho claro de como desenvolver projetos e gerar resultados por meio de uma construção conjunta.

CONCLUSÕES E DESAFIOS:

BUROCRACIA É UM OBSTÁCULO COMUM: tanto os heads de inovação quanto os pesquisadores enfrentam desafios similares relacionados aos processos administrativos. Desafio: simplificação e agilização desses procedimentos para uma colaboração mais eficaz;

ALNHAMENTO NO ESTÁGO DE MATURIDADE: ambos os públicos reconhecem a necessidade de testar e validar ideias (prototipagem e prova de conceito) antes de escalá-las.

CONEXÃO COM UNIVERSIDADES: os pesquisadores, em especial, indicaram que a colaboração universidade-empresa é essencial para o avanço em suas pesquisas. Uma demanda estratégica para todo o ecossistema.

REALIDADES DISTINTAS: as barreiras culturais e estruturais mencionadas pelos Heads de Inovação indicam a necessidade de uma compreensão mais profunda dos contextos acadêmico e empresarial. 

PARCERIAS E ATRAÇÃO DE TALENTOS: mais um ponto de convergência entre mercado e academia. A busca por parcerias em projetos de P&D e atração de talentos é estratégica e atende demandas de ambas as áreas

EXPECTATIVAS DISTINTAS: ainda que ambos os lados desejem ampliar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento, os pesquisadores ouvidos focam mais na validação do produto. Desafio: definir expectativas claras, e complementaridades, antes de iniciar parcerias

O QUE FAZER PARA ENGAJAR GESTOR/COLABORADOR NO PROGRAMA DE INOVAÇÃO COM UNIVERSIDADES? 
– Métricas claras: Payback/VPL
– Fazer na universidade em vez de fazer em casa
– Trazer cases que deram certo com resultados
– Benchmarking com outras empresas
– Clareza de proposta de valor para todos os envolvidos


O QUE NÃO FAZER?
– Soberba tecnológica e de conhecimento (ambos os lados)
– Falta de alinhamento de expectativas
– Devaneios teóricos
– Dificuldades burocráticas (falta de suprimentos)

Fonte: Redação SC Inova, scinova@scinova.com.br / Conteúdo oferecido por

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