Como a IA pode ajudar a mapear o avanço urbano nas cidades

Tecnologia comparou imagens de diferentes anos e mapeou imóveis, vias e vegetação em dois bairros de Florianópolis. No balneário de Ingleses (foto), área construída cresceu 18% em três anos
 
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As cidades mudam mais rápido do que os mapas usados para administrá-las. Enquanto novos imóveis, ruas e ocupações avançam sobre o território, levantamentos urbanos detalhados podem permanecer anos sem atualização. Dois testes realizados em Florianópolis mostram como a inteligência artificial começa a encurtar essa distância e a oferecer aos municípios uma leitura mais frequente do crescimento urbano.

Desenvolvida pela catarinense IPM Sistemas, a tecnologia combina imagens captadas por drones e satélites com modelos de inteligência artificial capazes de identificar construções, vias, vegetação e alterações na ocupação do solo. Os testes foram realizados nos bairros Campeche e Ingleses, duas regiões marcadas pela expansão urbana da Capital.

No Campeche – um dos bairros mais procurados do Sul da llha – drones mapearam uma área de 153 hectares. A análise identificou 1.473 imóveis, que ocupam conjuntamente 211,4 mil metros quadrados. O levantamento também classificou as condições das vias: 311 trechos, somando cerca de 13 mil metros quadrados, ainda apresentavam piso de barro ou pedras soltas. Além das edificações e da infraestrutura viária, o sistema permite visualizar a distribuição das áreas verdes dentro do território analisado.

“Hoje, o usual é que o administrador tenha a oportunidade de ver em detalhes a expansão de uma área territorial a cada cinco ou dez anos. Mas a tecnologia permite fazer esse mapeamento bastante detalhado em poucos dias”, afirma a diretora e head de inteligência artificial da IPM Sistemas, Ana Luiza Mees, que recentemente concluiu mestrado em Inteligência Artificial pela universidade Johns Hopkins (EUA).

Um bairro diferente em três anos

Nos Ingleses, o teste teve outro objetivo: comparar a ocupação territorial em diferentes períodos. O modelo analisou imagens de satélite de 2022 e 2025 referentes a uma área de aproximadamente 306 hectares. Segundo os resultados apresentados pela empresa, a área construída identificada pela IA passou de cerca de 625 mil para 738 mil metros quadrados no período — uma expansão de 18% em três anos.

A comparação entre mapas de diferentes anos pode ajudar a revelar regiões que crescem mais rapidamente do que a infraestrutura urbana. Também permite identificar ampliações de imóveis ainda não incorporadas ao cadastro municipal, ocupações próximas a áreas de preservação e mudanças que podem pressionar serviços como saneamento, pavimentação e educação.

Como explica Ana Luiza, a tecnologia funciona como uma camada complementar de monitoramento, com possibilidade de atualização em intervalos menores. “A ideia não é substituir os levantamentos tradicionais, que são lentos, trabalhosos e custosos, mas muito detalhados. É uma frente diferente, em que acompanhamos mudanças em menos tempo, com focos distintos de monitoramento”.

Esta não é a primeira aposta da IPM aplicada à gestão pública: em 2023, lançou a Dara, considerada a primeira IA do Brasil voltada para esse segmento. A empresa trabalha agora no desenvolvimento de modelos voltados à análise da cobertura vegetal e das condições das vias, incluindo buracos e irregularidades na pavimentação.

O avanço dessas tecnologias coloca uma questão para os municípios: como transformar imagens e dados territoriais em decisões de planejamento antes que o crescimento urbano se converta em déficit de infraestrutura.

Fonte: PorRedação Builders / Crédito: PMF/Divulgação. 

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