Eclipse solar total: NASA se prepara para estudar o fenômeno

Mais de 15 milhões de pessoas poderão observar um dos eclipses solares mais importantes da década nesta semana

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Imagens da coroa solar e das proeminências solares capturadas em diferentes comprimentos de onda da luz visível e infravermelha por câmeras a bordo do jato WB-57 da NASA durante o eclipse solar total de 8 de abril de 2024. As mesmas câmeras voarão novamente em um jato WB-57 da NASA durante o eclipse de 12 de agosto. - Crédito: NASA / SwRI / William Ashfieldlunar 03/03: veja horário da 'Lua de Sangue' e onde assistir — Foto: Divulgação/Pixabay-Kanenori

Esta semana, acontece um dos eclipses solares mais importantes da década, conforme noticiado pelo Olhar Digital. Mais de 15 milhões de pessoas estarão na faixa de totalidade, enquanto cerca de 980 milhões poderão observar o fenômeno de forma parcial. 

Um eclipse solar total, no entanto, não é apenas um espetáculo impressionante de se assistir. Durante os poucos minutos em que a Lua encobre completamente o Sol, os cientistas conseguem observar detalhes da atmosfera da estrela que normalmente ficam escondidos pelo seu brilho intenso. 

Nesta quarta-feira (12), equipes financiadas pela NASA vão aproveitar a oportunidade para estudar a coroa solar e investigar como a redução repentina da luz do Sol afeta a atmosfera da Terra.

Jato vai perseguir a sombra da Lua 

Uma das pesquisas será feita a bordo de um avião WB-57 da agência, que acompanhará a sombra da Lua em alta altitude. O objetivo é prolongar o período de observação da coroa solar e registrar mudanças que podem passar despercebidas durante os poucos minutos de totalidade vistos do solo.

O avião levará quatro câmeras capazes de produzir imagens em alta resolução em diferentes comprimentos de onda da luz visível e infravermelha. O sistema poderá registrar pelo menos 20 imagens por segundo, permitindo acompanhar estruturas, fluxos de material e alterações rápidas na atmosfera externa do Sol.

Os pesquisadores querem entender melhor como se formam as proeminências solares, estruturas compostas por material que permanece suspenso acima da superfície da estrela. Também pretendem investigar por que a coroa solar alcança temperaturas próximas de 1 milhão de graus e qual é a relação entre essa região e o vento solar, fluxo de partículas que se espalha pelo Sistema Solar.

A aeronave voará a cerca de 15,2 km de altitude, acima das nuvens que poderiam atrapalhar as observações. Essa posição também permitirá detectar alguns comprimentos de onda infravermelhos que são absorvidos pela atmosfera terrestre antes de chegar ao solo.

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Avião acompanhará a sombra da Lua em alta altitude – Imagem: NASA

O mesmo equipamento foi utilizado no eclipse solar total de abril de 2024. Desde então, a equipe fez ajustes nas câmeras e desenvolveu ferramentas para acelerar o processamento e a análise dos dados.

“O Sol está sempre mudando”, afirmou o cientista solar Amir Caspi, Amir Caspi, pesquisador do Southwest Research Institute (SwRI) e investigador principal do estudo, em um comunicado da NASA. “Cada eclipse é diferente. Então, podemos ver coisas que não vimos antes. E aprendemos com cada eclipse como observar melhor o próximo.”

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80 balões científicos antes, durante e depois da passagem da sombra da Lua – Imagem: Sean Bailey/Universidade de Kentucky

Experimentos realizados durante eclipses em 2023 e 2024 mostraram que essa camada diminuiu de espessura em locais com céu aberto, mas não apresentou o mesmo comportamento em áreas nubladas. Agora, os cientistas querem descobrir se o resultado se repetirá na Islândia.

A época do ano também pode influenciar a resposta da atmosfera. Como o eclipse ocorrerá em agosto, quando os dias islandeses são longos e as noites curtas, os pesquisadores esperam verificar se essa característica interfere nas mudanças observadas.

“Será que este eclipse conseguirá colapsar a camada limite atmosférica?”, questionou Matthew Bernards, professor de engenharia química da Universidade de Idaho e responsável por uma das equipes na Islândia.

Na Espanha, três equipes lançarão outros seis balões, equipados com câmeras de 360 graus para registrar a passagem da sombra sobre a superfície. Eles também carregarão sensores para medir os níveis de ozônio na atmosfera.

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Vista da sombra da Lua na Terra durante o eclipse solar total em 8 de abril de 2024 – Imagem: Projeto Nacional de Balonismo Eclipse/Virginia Tech

O ozônio depende da luz solar para sua formação e, por isso, pode sofrer alterações durante a totalidade. Em experimentos realizados no eclipse de abril de 2024, os pesquisadores observaram uma redução nos níveis do gás.

A nova campanha permitirá verificar se esse efeito se repete em condições diferentes. Como o eclipse de 2026 ocorrerá em outro horário e em uma estação do ano distinta, os dados poderão ajudar a esclarecer como fatores ambientais influenciam a resposta da atmosfera durante um eclipse solar total.

Fonte: Olhar Digital / Por: Flavia Correia

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