Nos últimos meses, o Congresso Nacional aprovou importantes acordos comerciais que ampliam significativamente a inserção internacional do Brasil. Somados à entrada em vigor, em 1º de maio de 2026, do Acordo Mercosul-União Europeia, os entendimentos firmados com Singapura e com os países da EFTA — Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — representam a maior expansão do acesso preferencial do Brasil a mercados internacionais das últimas décadas.
Os resultados já começam a aparecer. Em 2025, o Brasil registrou recordes de exportação para 42 países, demonstrando uma crescente capacidade de diversificar mercados e reduzir a dependência dos destinos tradicionais. Mais do que números positivos de comércio exterior, esses resultados revelam uma mudança estrutural na economia mundial. A era da concentração está chegando ao fim.
Empresas e governos aprenderam, após pandemias, guerras, conflitos comerciais e disputas tecnológicas, que depender excessivamente de poucos mercados representa um risco estratégico. O novo cenário internacional favorece economias capazes de oferecer diversificação, confiabilidade e segurança. Nesse contexto, regiões que combinam estabilidade institucional, segurança pública, segurança jurídica, eficiência logística e capacidade produtiva passam a ocupar posição privilegiada. Em um mundo marcado por crescentes incertezas geopolíticas, investidores procuram ambientes previsíveis, onde pessoas, patrimônios e contratos estejam protegidos. Santa Catarina está entre essas regiões.
Enquanto muitos ainda discutem como se inserir na nova economia global, Santa Catarina já possui os ativos que o mundo procura: portos eficientes, indústria competitiva, agroindústria de excelência, ambiente favorável aos negócios, mão de obra qualificada e um dos ecossistemas de inovação mais dinâmicos do país. Os novos acordos comerciais ampliam significativamente o acesso a mercados que concentram renda, tecnologia e capacidade de investimento. Para Santa Catarina, isso significa mais do que ampliar exportações. Significa a oportunidade de consolidar-se como uma plataforma internacional de produção, logística, tecnologia e serviços. Mas os benefícios não serão distribuídos automaticamente.
Os estados brasileiros passarão a competir cada vez mais para atrair investimentos, centros de distribuição, operações industriais, datacenters e cadeias globais de valor. Quem se posicionar primeiro irá capturar a maior parcela dessa transformação. Precisamos consolidar nossos portos como a principal porta de entrada e saída do comércio internacional do Sul do Brasil. Precisamos ampliar nossa presença nos mercados europeu e asiático. Precisamos acelerar investimentos em conectividade digital, infraestrutura energética, inovação tecnológica e qualificação profissional.
Santa Catarina possui um diferencial que poucos estados brasileiros conseguem reunir simultaneamente: competitividade econômica, qualidade de vida, baixos índices de criminalidade, respeito aos contratos e forte estabilidade institucional.
Para empresas globais que decidem onde investir, produzir ou instalar centros de distribuição e tecnologia, esses fatores tornaram-se tão importantes quanto incentivos fiscais ou custos operacionais. Mais do que participar dos benefícios dos novos acordos, Santa Catarina deve ambicionar algo maior: tornar-se a porta preferencial do Brasil para os mercados mais dinâmicos do mundo. Nossa localização estratégica, infraestrutura logística, ambiente institucional e vocação internacional permitem ao Estado assumir esse protagonismo. A nova geografia econômica mundial está sendo desenhada agora. O mundo procura parceiros confiáveis, produtivos e conectados. Procura regiões que ofereçam infraestrutura moderna, capital humano qualificado, segurança pública, segurança jurídica e estabilidade institucional.
Santa Catarina reúne essas características de forma singular no cenário brasileiro. Se souber transformar essas vantagens em estratégia de longo prazo, poderá consolidar-se como a principal plataforma brasileira de integração com a Europa, a América do Norte e a Ásia. Porque, na economia global que está surgindo, os vencedores não serão necessariamente os maiores. Serão aqueles que compreenderem primeiro para onde o mundo está caminhando — e tiverem a capacidade de agir antes dos demais.
Fonte: Redação Builders / Por Paulo Bornhausen, secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina
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