Sexto sentido canino ou pura coincidência? Ciência explica a habilidade dos pets de detectar mudanças invisíveis no ambiente

Pesquisas indicam que cães conseguem identificar alterações químicas no corpo humano, perceber emoções e reagir antes de desastres naturais acontecerem

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Você já deve ter escutado alguma vez que os cães conseguem prever algumas situações, como doenças, terremotos e até acidentes. Histórias de pets que começam a agir de forma estranha antes de um desastre natural ou que percebem problemas de saúde dos tutores se popularizaram nas redes sociais e alimentam a ideia de que os cachorros possuem uma espécie de “sexto sentido”. Mas será que isso é mesmo verdade? Segundo cientistas e especialistas em comportamento animal, a explicação pode estar bem longe do sobrenatural. Estudos mostram que o olfato extremamente potente, a audição aguçada e a capacidade de interpretar sinais sutis do ambiente ajudam os cães a detectar mudanças que passam despercebidas pelos humanos.

O olfato dos cães consegue identificar doenças antes mesmo dos sintomas

Grande parte das habilidades vistas como “sobrenaturais” nos cães está totalmente ligada ao faro extremamente desenvolvido desses animais. O olfato canino pode ser até 100 mil vezes mais potente que o humano, permitindo que eles identifiquem pequenas alterações químicas no corpo das pessoas. Pesquisas já mostraram que os cães conseguem detectar mudanças associadas a doenças como epilepsia, diabetes e alguns tipos de câncer. Isso acontece porque o organismo libera substâncias específicas no suor, na respiração e na pele quando algo não vai bem, sinais praticamente imperceptíveis para humanos, mas muito claros para os cães.

Um estudo conduzido pela Queen’s University Belfast observou que cães reagiram de forma bem diferente a amostras de suor coletadas de pessoas pouco antes de crises epilépticas. Segundo os pesquisadores, os animais conseguiram identificar alterações químicas associadas às convulsões antes mesmo dos sintomas aparecerem. Devido a essa habilidade, hoje alguns cães de assistência são treinados para alertar tutores sobre alterações fisiológicas antes de uma crise epiléptica.

Além das doenças, os cães também conseguem perceber emoções humanas com muita precisão. Um estudo realizado por pesquisadores da USP, em São Paulo, e da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, indicam que os cães interpretam expressões faciais, alterações na voz, tensão muscular e até o cheiro do estresse, adaptando seu comportamento de acordo com o estado emocional do tutor.

Audição aguçada permite que cães percebam terremotos e mudanças no ambiente

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Estudos indicam que os cães conseguem interpretar emoções humanas por meio de expressões faciais, tom de voz, cheiro e mudanças sutis no comportamento dos tutores.

O faro dos cachorros é realmente uma característica impressionante, mas outro sentido canino também se destaca: a audição. Assim como o faro, a audição dos cães também está muito acima da capacidade humana e pode explicar por que muitos pets parecem “prever” desastres naturais.

Pesquisadores acreditam que os cães conseguem ouvir vibrações e sentir frequências extremamente baixas emitidas antes de terremotos, além de perceber pequenas mudanças na pressão do ar e no solo. Um estudo realizado no Canadá analisou o comportamento de 193 cães antes de um terremoto que atingiu Seattle, nos Estados Unidos, e observou que quase metade dos animais apresentou sinais incomuns de ansiedade, inquietação e agitação cerca de 24 horas antes do tremor acontecer. 

O detalhe que mais chamou atenção dos pesquisadores é que até cães surdos demonstraram mudanças comportamentais, sugerindo que os animais também podem perceber vibrações físicas no ambiente além dos sons. Segundo os cientistas, os cães provavelmente conseguem captar ruídos agudos provocados pelo deslocamento e quebra de rochas tectônicas antes dos terremotos se tornarem perceptíveis para humanos.

Apesar de todas essas habilidades impressionantes, os cães não possuem poderes sobrenaturais e nem conseguem prever o futuro conscientemente. O que acontece é que seus sentidos extremamente desenvolvidos permitem captar estímulos que os humanos não são capazes de sentir. 

Fonte: Xataka Brasil / Laura Vieira- Redatora

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